As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia registraram crescimento de 14,8% nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre os dois blocos. Entre maio e setembro de 2026, as vendas alcançaram US$ 12,21 bilhões, frente aos US$ 10,64 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Os dados são do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e foram divulgados no início de novembro. O resultado representa um incremento de aproximadamente US$ 1,57 bilhão nas exportações brasileiras para o mercado europeu.
O acordo Mercosul-União Europeia começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio de 2026, após décadas de negociações. A implementação prevê redução ou eliminação gradual de tarifas de importação para determinados produtos, ampliando as condições de acesso ao mercado europeu.
Volume exportado também aumenta
Além do crescimento em valor, o volume de produtos agropecuários e agroindustriais brasileiros enviados à União Europeia também avançou.
Entre maio e setembro de 2026, foram exportadas 17,74 milhões de toneladas, alta de 8,1% em comparação com as 16,42 milhões de toneladas embarcadas no mesmo intervalo do ano anterior.
O desempenho foi impulsionado por diferentes segmentos da produção agropecuária, incluindo o complexo soja, as carnes, os produtos apícolas e as frutas.
Produtos brasileiros ampliam presença no mercado europeu
Entre os produtos que apresentaram crescimento nas exportações estão o mel, os abacates frescos e o óleo de milho.
Conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de abacates frescos cresceram 421% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
As vendas de mel avançaram 367%, enquanto as exportações de óleo de milho aumentaram 266%.
O etanol também apresentou crescimento expressivo, com alta de 95,2% nas vendas ao mercado europeu. Já o óleo essencial de laranja registrou avanço de 75,8%.
Os resultados mostram que a ampliação das oportunidades comerciais pode beneficiar diferentes cadeias produtivas, incluindo produtos agroindustriais e itens de maior valor agregado.
Acordo amplia oportunidades, mas exige adaptação
A redução das tarifas comerciais representa uma oportunidade para os exportadores brasileiros ampliarem sua participação no mercado europeu. Entretanto, o acesso ao bloco continua condicionado ao cumprimento de exigências sanitárias, ambientais, de rastreabilidade e de qualidade.
Segundo o Mapa, a adequação às normas internacionais é fundamental para manter a competitividade dos produtos brasileiros e ampliar a presença do país no comércio exterior.
O crescimento registrado nos primeiros meses de aplicação do acordo sinaliza um cenário favorável para o agronegócio nacional. A continuidade desse avanço dependerá da capacidade de atender às exigências dos compradores europeus e de aproveitar as condições comerciais previstas no tratado.
Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sistema Agrostat; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).




