As condições climáticas estão entre os fatores que influenciam o mercado brasileiro de açúcar e etanol neste fim de outubro. As chuvas em regiões produtoras dificultam o avanço da colheita e da moagem da cana-de-açúcar, reduzindo a disponibilidade de matéria-prima para as usinas e contribuindo para a valorização dos produtos.
O cenário ocorre durante a safra 2026/27, período em que a indústria sucroenergética precisa administrar o processamento da cana e definir a proporção destinada à fabricação de açúcar ou de biocombustível.
Produção de açúcar deve diminuir
De acordo com o segundo levantamento da safra 2026/27, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de açúcar está estimada em 42,89 milhões de toneladas, volume 2,9% inferior ao registrado no ciclo anterior.
Apesar da redução projetada para o adoçante, a produção total de cana-de-açúcar deve alcançar 705,2 milhões de toneladas, crescimento de 4,7% em relação à temporada passada.
A diferença entre as projeções demonstra que o aumento da disponibilidade de cana não significa, necessariamente, maior fabricação de açúcar. A destinação da matéria-prima entre os diferentes produtos também influencia os resultados da indústria.
Etanol ganha espaço na produção
A Conab estima que a fabricação de etanol a partir da cana-de-açúcar alcance 29,98 bilhões de litros na safra atual, uma expansão de 9,7%.
Considerando também o combustível produzido a partir do milho, a produção brasileira de etanol poderá chegar a 41,88 bilhões de litros, alta de 11,7% na comparação com o ciclo 2025/26.
A demanda pelo biocombustível também recebe influência das regras de mistura obrigatória à gasolina. Em julho de 2026, o percentual passou de 30% para 32%, ampliando a participação do etanol anidro na composição da gasolina comercializada no país.
Monitoramento dos preços
O Ministério da Agricultura e Pecuária mantém séries de acompanhamento dos preços do açúcar e do etanol, com informações sobre diferentes estados brasileiros e indicadores de mercado.
Esses dados permitem acompanhar a evolução das cotações e as diferenças regionais ao longo da safra. Em um cenário de dificuldades climáticas, a disponibilidade de matéria-prima, o ritmo de processamento das usinas e a demanda pelos produtos são fatores importantes para a formação dos preços.
A evolução das condições meteorológicas nas principais regiões produtoras será relevante para o andamento da colheita e para o volume de cana que ainda poderá ser processado nesta temporada.




