A demanda por fertilizantes no Brasil deve registrar uma queda expressiva em 2026, após o setor alcançar um volume recorde de entregas no ano passado. As estimativas mais recentes do mercado indicam que o consumo pode ficar abaixo de 42 milhões de toneladas, recuando em relação às 49,1 milhões de toneladas registradas em 2025.

O cenário é influenciado pelo aumento dos custos de produção, pelas dificuldades de acesso ao crédito rural e pelas incertezas no mercado internacional. Diante desse quadro, produtores têm adiado a compra de insumos e revisto o planejamento da adubação das lavouras.

De acordo com informações divulgadas pela Globo Rural, as projeções para o consumo de fertilizantes foram revisadas para baixo ao longo dos últimos meses. Em agosto, a expectativa era de aproximadamente 45 milhões de toneladas. No entanto, o ritmo das importações e a menor procura por insumos para o plantio da safra de soja 2026/2027 contribuíram para uma perspectiva mais pessimista.

Importações refletem mudanças no mercado


Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o Brasil importou cerca de 3,1 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos em setembro de 2026. O volume representa uma redução de 27,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

Em agosto, as importações somaram aproximadamente 2,9 milhões de toneladas, uma queda de 43,7% na comparação anual. Os números indicam uma redução no fluxo de entrada desses produtos no país, embora os dados de importação, isoladamente, não determinem o consumo total de fertilizantes no mercado brasileiro.

A movimentação é relevante porque o país depende fortemente do fornecimento externo. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados, o que deixa a cadeia produtiva exposta às oscilações de preços, às condições logísticas e às tensões geopolíticas.

Custos e crédito influenciam as decisões no campo


A combinação entre insumos mais caros e restrições financeiras tem levado os produtores a adotar maior cautela nas compras. Com margens de rentabilidade pressionadas, parte do setor busca reduzir despesas, adiar aquisições ou ajustar o volume de fertilizantes utilizado nas lavouras.

As incertezas internacionais também pesam sobre o mercado. Conflitos geopolíticos e possíveis interrupções no fornecimento de matérias-primas podem afetar a disponibilidade e os preços dos produtos utilizados na fabricação de adubos.

Esse contexto exige atenção especialmente no planejamento da safra 2026/2027, período em que a aquisição dos insumos precisa ser conciliada com os custos de produção, as condições de financiamento e as expectativas de rentabilidade das culturas.


Plano nacional busca reduzir dependência externa


Diante da importância dos fertilizantes para a produção agrícola, o governo federal mantém o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que estabelece diretrizes para ampliar a produção nacional, estimular investimentos e melhorar a eficiência no uso desses insumos.

Conforme o Mapa, a estratégia tem como meta fazer com que a produção brasileira atenda entre 45% e 50% da demanda interna até 2050. A iniciativa busca diminuir a dependência das importações e fortalecer a segurança do abastecimento no país.

A possível retração do consumo em 2026 reforça os desafios enfrentados pelo setor, que precisa equilibrar os custos dos insumos, a capacidade de investimento dos produtores e a necessidade de manter a produtividade das lavouras brasileiras.