A participação brasileira no mercado agrícola internacional tem crescido nos últimos anos, impulsionada pelo volume de produção e pela demanda externa por alimentos e matérias-primas. Esse movimento aproxima o país dos Estados Unidos, tradicional referência no setor, e amplia a disputa pela liderança mundial nas exportações agropecuárias.
Uma análise publicada pelo Financial Times indica que o Brasil já apresenta desempenho semelhante ao norte-americano em diferentes aspectos do comércio agrícola. A avaliação também foi abordada pelo jornalista Nelson de Sá, em sua coluna no UOL, com base em entrevista com Larissa Wachholz, ex-assessora do Ministério da Agricultura.
A presença brasileira é especialmente expressiva em cadeias como soja, café, algodão, açúcar, suco de laranja e proteínas animais. A competitividade nesses segmentos contribui para ampliar a participação nacional no fornecimento de produtos essenciais para a indústria alimentícia e outros mercados.
Agronegócio movimenta bilhões em vendas externas
O peso do setor na economia brasileira ficou evidente em 2025. As exportações agropecuárias totalizaram US$ 169,2 bilhões, o maior valor da série apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O resultado foi 3% superior ao registrado em 2024 e correspondeu a quase metade das exportações brasileiras.
Entre os produtos comercializados, a soja em grãos liderou a pauta, com US$ 43,5 bilhões em receitas e 108,2 milhões de toneladas embarcadas. A carne bovina também teve um ano de destaque, alcançando US$ 17,9 bilhões em vendas ao exterior.
O saldo comercial do agronegócio ficou positivo em US$ 149,07 bilhões, evidenciando a contribuição do setor para a entrada de divisas no país.
Relações comerciais influenciam o cenário
A China exerce influência direta sobre os resultados brasileiros. Em 2025, o mercado chinês respondeu por US$ 55,3 bilhões das compras de produtos agropecuários nacionais, o equivalente a 32,7% das exportações do setor.
Na sequência ficaram a União Europeia, com US$ 25,2 bilhões, e os Estados Unidos, com US$ 11,4 bilhões.
As disputas comerciais entre Estados Unidos e China, incluindo a adoção de tarifas pelo governo norte-americano, modificaram parte da dinâmica do comércio internacional. Nesse contexto, produtores e exportadores brasileiros encontraram oportunidades para ampliar o fornecimento a compradores estrangeiros.
A diversificação dos destinos, entretanto, continua sendo estratégica. A dependência de grandes mercados pode deixar o setor vulnerável a mudanças tarifárias, restrições comerciais e alterações nas políticas de importação.
Expansão da produção exige planejamento
O crescimento das exportações também aumenta a necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação ambiental. A conversão de vegetação nativa em áreas produtivas, os impactos sobre territórios indígenas e áreas protegidas e as violações de direitos trabalhistas estão entre os problemas associados à expansão agropecuária.
Para reduzir essas pressões, uma das alternativas é produzir mais nas áreas já utilizadas. A recuperação de pastagens degradadas, o investimento em pesquisa e o aprimoramento das técnicas de manejo podem elevar a produtividade sem exigir necessariamente o avanço sobre novas áreas.
A fiscalização ambiental e trabalhista também é fundamental para que o crescimento do setor ocorra dentro das exigências legais e dos compromissos de sustentabilidade.
Produtividade deve orientar os próximos anos
As perspectivas para o mercado agrícola também são analisadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). No relatório Agricultural Outlook 2026-2035, as instituições avaliam as tendências que devem influenciar a produção, o consumo e as trocas internacionais de produtos agropecuários.
O estudo destaca a importância do comércio entre países para o abastecimento mundial e considera a América do Sul uma região relevante para a oferta de alimentos e matérias-primas.
Nesse cenário, o Brasil tem espaço para fortalecer sua atuação internacional, desde que mantenha investimentos em tecnologia, infraestrutura e eficiência produtiva. A capacidade de ampliar a produção com menor impacto ambiental e conquistar novos compradores será determinante para sustentar a competitividade brasileira nos próximos anos.
Fonte: Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)




