O movimento ocorre porque os preços da proteína suína avançaram com maior intensidade na primeira quinzena do mês, enquanto as outras carnes também registraram aumentos, porém menos expressivos no caso do frango.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgado em outubro de 2026, aponta que a carcaça especial suína acumulou alta de 17,29% até 15 de outubro, chegando a R$ 9,97 por quilo. No mesmo período, o frango resfriado apresentou valorização de 2,41%, com cotação de R$ 8,51 por quilo. Os valores se referem ao atacado da Grande São Paulo e não representam necessariamente os preços encontrados nos supermercados.

Oferta e demanda influenciam os preços

A recuperação das cotações da carne suína está relacionada ao movimento do mercado iniciado em setembro. Entre os fatores apontados estão o controle da oferta de animais em peso adequado para o abate e a demanda mais firme pela proteína.

No caso do frango, a procura das famílias também contribuiu para sustentar os preços no início de outubro, especialmente no período de recebimento dos salários. A carne bovina, por sua vez, manteve cotações firmes, acompanhando a maior procura pelo produto no mercado interno.

Quando uma proteína registra aumentos superiores aos das concorrentes, sua vantagem relativa de preço diminui. Esse cenário pode influenciar as escolhas dos consumidores e as estratégias de compra do varejo.

Produção brasileira de carne suína deve crescer

Apesar das oscilações de preços, as perspectivas para a produção nacional seguem positivas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil produza 5,93 milhões de toneladas de carne suína em 2026, crescimento de 4,79% em relação a 2025.

A expansão está associada ao aumento do plantel de matrizes e aos ganhos de produtividade. Para a Conab, o crescimento da produção também permite ampliar as exportações sem comprometer o abastecimento do mercado interno.

Os embarques brasileiros de carne suína estão estimados em 1,58 milhão de toneladas em 2026, enquanto a disponibilidade interna deve alcançar 4,36 milhões de toneladas. Para 2027, a projeção é de continuidade do crescimento, com produção de 6,15 milhões de toneladas. 

Santa Catarina mantém destaque nas exportações

Santa Catarina segue entre os principais protagonistas da suinocultura brasileira. Conforme dados da Epagri/Cepa divulgados em 2026, o estado exportou 437,4 mil toneladas de carne suína entre janeiro e julho, com receita de US$ 1,09 bilhão.

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de 0,9% no volume embarcado e de 2,6% no faturamento. O resultado representou o melhor desempenho da série histórica para os primeiros sete meses do ano, tanto em quantidade quanto em receita. 

O cenário demonstra a relevância da atividade para a economia catarinense, tanto no abastecimento interno quanto no comércio internacional.

Perspectivas para o mercado

A evolução dos preços nos próximos meses dependerá do equilíbrio entre oferta, demanda doméstica, custos de produção e desempenho das exportações. A valorização da carne suína pode favorecer a remuneração dos produtores, mas também diminuir sua competitividade diante de proteínas que apresentem aumentos menores.

Para o consumidor, as diferenças de preço entre as carnes podem influenciar a escolha na hora da compra. Já para o setor produtivo, acompanhar as cotações e o comportamento do mercado será importante para avaliar as oportunidades de comercialização.