A produção de leite em Santa Catarina segue em expansão, consolidando o estado entre os principais produtores do país. Apesar do crescimento no campo, a remuneração recebida pelos produtores continua sendo motivo de preocupação, especialmente diante dos custos de produção e das oscilações do mercado.

De acordo com dados da Epagri/Cepa, Santa Catarina produziu aproximadamente 3,3 bilhões de litros de leite em 2024. Para 2025, a estimativa da instituição apontava uma produção de 3,598 bilhões de litros, crescimento de cerca de 9% em relação ao ano anterior.

Os números reforçam a importância da atividade para a economia catarinense, principalmente no Oeste, região que concentra a maior parte da produção estadual. O setor também tem papel fundamental na geração de renda e na permanência das famílias no meio rural.

Produtividade em alta

Além do aumento no volume produzido, Santa Catarina apresenta avanços na produtividade dos rebanhos. Conforme dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado alcançou, em 2025, uma média de 17,21 litros de leite por vaca ao dia.

O resultado coloca Santa Catarina na liderança nacional em produtividade, com desempenho aproximadamente 76% superior à média brasileira, de 9,78 litros por vaca ao dia.

Segundo análise da Epagri/Cepa, o avanço está relacionado à melhoria do manejo, da alimentação dos animais e da genética dos rebanhos. A instituição destaca que o aumento da produtividade é um fator importante para a competitividade da cadeia leiteira catarinense.

Preços ainda preocupam os produtores

Mesmo com o crescimento da produção, a remuneração pelo leite segue como um dos principais desafios da atividade. Os valores pagos ao produtor apresentam oscilações e nem sempre acompanham as despesas com alimentação do rebanho, energia elétrica, transporte e manutenção das propriedades.

Dados do Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa, referentes a agosto de 2026, apontaram que o preço médio recebido pelos produtores catarinenses passou de R$ 2,71 para R$ 2,76 por litro, uma alta de 1,8% em relação a julho.

Apesar da recuperação mensal, a cotação apresentou acomodação no início de setembro, quando o preço recuou para R$ 2,73 por litro. A projeção do Conseleite/SC para o leite entregue em agosto e pago em setembro também indicou queda de 1,7%, com valor de referência de R$ 2,56 por litro.

Os dados demonstram que, embora a produção esteja em crescimento, a rentabilidade continua sendo uma preocupação para os produtores, que precisam equilibrar os investimentos necessários para manter a atividade com a remuneração recebida pelo produto.

Importações e competitividade

Outro fator que influencia o mercado de lácteos é a entrada de produtos importados. Segundo a Epagri/Cepa, em agosto de 2026, as importações catarinenses de lácteos chegaram a 830 toneladas, aumento de 17,2% em relação a julho e de 36,5% na comparação com agosto de 2025.

A Argentina respondeu por 81,8% do volume importado no período. Entre os principais produtos adquiridos estavam queijos e leite em pó.

O cenário amplia o debate sobre a competitividade da produção nacional e os mecanismos necessários para garantir condições adequadas de comercialização aos produtores brasileiros.

Em Santa Catarina, o setor leiteiro permanece estratégico para o agronegócio. O desafio, no entanto, é transformar o crescimento da produção e os ganhos de produtividade em melhores condições de renda para quem está no campo.

Fonte: Epagri/Cepa, IBGE e Conseleite/SC.