O mercado brasileiro de tilápia apresentou resultados distintos em setembro. Enquanto as vendas para outros países ganharam força, os produtores continuaram enfrentando dificuldades para equilibrar as despesas da atividade. O aumento dos custos de alimentação dos peixes, aliado à limitação dos preços recebidos, mantém a rentabilidade sob pressão.
Dados apresentados pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), com base em informações da Embrapa, mostram que o volume exportado passou de 646 toneladas em agosto para 852 toneladas em setembro, uma elevação de aproximadamente 32%.
A receita obtida com os embarques também aumentou, passando de US$ 3,51 milhões para US$ 3,68 milhões no período. Apesar do desempenho positivo no comércio exterior, o avanço não representa, necessariamente, uma melhora proporcional nos ganhos dos piscicultores.
A ração está entre os principais componentes do custo de criação da tilápia. Por isso, as oscilações nos preços do milho e do farelo de soja, matérias-primas utilizadas na fabricação do alimento, têm impacto direto sobre a atividade.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Esalq/USP, apontou que o poder de compra dos produtores em relação à ração com 32% de proteína recuou pelo terceiro mês consecutivo em setembro.
Esse cenário reduz a capacidade de reposição dos insumos e exige maior atenção ao planejamento financeiro das propriedades, especialmente quando os preços de venda não acompanham o avanço das despesas.
Mercado interno mantém negociações limitadas
No mercado doméstico, as cotações da tilápia permaneceram relativamente estáveis em setembro, mas houve recuos em algumas regiões produtoras.
No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, em Minas Gerais, o preço médio caiu 2,29%, chegando a R$ 9,38 por quilo. No Norte do Paraná, a redução foi de 0,59%, enquanto Morada Nova de Minas também registrou queda nas cotações.
O mercado de filés congelados no atacado apresentou procura limitada, dificultando o repasse dos aumentos de custos pela indústria. A combinação entre demanda contida e margens reduzidas amplia os desafios para os diferentes elos da cadeia.
Outro fator observado no mercado é a entrada de tilápia procedente do Vietnã. Em setembro, as importações brasileiras desse produto chegaram a aproximadamente 1.324 toneladas, crescimento de 11% em relação a agosto, conforme dados divulgados pelo setor.
A presença do pescado importado acrescenta um elemento à disputa pelo mercado consumidor brasileiro, em um momento no qual os produtores nacionais já enfrentam despesas elevadas e dificuldades para ampliar suas margens comerciais.
O crescimento das exportações demonstra que existe espaço para ampliar a presença da tilápia brasileira no comércio internacional. Entretanto, o desempenho sustentável da atividade depende também das condições de produção e da capacidade de remunerar adequadamente os piscicultores.
Com os custos de alimentação em alta e o mercado interno apresentando limitações, o acompanhamento dos preços, a eficiência produtiva e o planejamento da comercialização seguem importantes para a competitividade da piscicultura.
O cenário de setembro evidencia, portanto, um contraste: o avanço dos embarques internacionais convive com desafios econômicos dentro da cadeia produtiva, mantendo a rentabilidade como um dos principais pontos de atenção para o setor.




