O Brasil pode registrar, pelo terceiro ano consecutivo, um recorde na produção de soja. As projeções para a safra 2026/2027 apontam para mais um avanço no volume colhido, consolidando o país entre os principais protagonistas do mercado mundial da oleaginosa.

De acordo com o primeiro levantamento da safra de grãos 2026/2027, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 15 de outubro, a produção brasileira de soja pode chegar a **181,6 milhões de toneladas**. O resultado representa um crescimento de 0,7% em relação à estimativa para a temporada anterior, de 180,4 milhões de toneladas.

A expectativa é acompanhada também pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por meio de seu serviço de análise agrícola em Brasília. As avaliações do órgão apontam para a continuidade da expansão da cultura no Brasil, embora em ritmo mais moderado diante das condições econômicas enfrentadas pelo setor.

Área plantada deve continuar crescendo

Segundo a Conab, a área destinada à soja na safra 2026/2027 deve alcançar 49,3 milhões de hectares, um aumento de 1,4% em comparação com o ciclo anterior. A ampliação da área cultivada é um dos fatores que sustentam a expectativa de crescimento da produção nacional.

Já o relatório do USDA estima que a área plantada possa atingir 50,5 milhões de hectares no ciclo 2026/2027, alta de 2,8% sobre a estimativa de 49,1 milhões de hectares para a temporada 2025/2026.

A diferença entre os números está relacionada às metodologias e aos critérios utilizados por cada instituição. Apesar disso, ambas as projeções indicam continuidade na expansão da cultura da soja no país.

O USDA também destaca que o crescimento deve ocorrer em um ritmo mais lento do que nos últimos anos. Entre os fatores que influenciam essa mudança estão o aumento dos custos de produção, os juros elevados e a redução das margens de rentabilidade dos agricultores.

Custos de produção preocupam o setor

Mesmo com a perspectiva de uma nova safra recorde, o cenário econômico exige cautela dos produtores. O relatório do USDA aponta que os juros elevados, os custos dos insumos e os preços menos favoráveis da commodity reduzem a rentabilidade e podem limitar os investimentos na próxima temporada.

Esse contexto influencia decisões relacionadas à ampliação das lavouras, à compra de máquinas e insumos e ao planejamento financeiro das propriedades rurais.

O documento também destaca o potencial de expansão da região conhecida como Matopiba, que reúne áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A disponibilidade de terras e as oportunidades de desenvolvimento da infraestrutura estão entre os fatores que favorecem o crescimento da produção nessa região.

 Brasil mantém protagonismo no mercado mundial

A perspectiva de mais um recorde reforça a importância da soja para o agronegócio brasileiro. Além de abastecer a indústria nacional de processamento, o grão tem papel relevante nas exportações e no fornecimento de matéria-prima para a produção de farelo e óleo.

De acordo com a Conab, a produção total de grãos do Brasil na safra 2026/2027 está estimada em 367,1 milhões de toneladas, crescimento de 1,4% em relação ao ciclo anterior. A soja representa uma parcela expressiva desse volume.

Apesar das perspectivas positivas para a produção, o desempenho da próxima safra dependerá da evolução das condições climáticas, da produtividade das lavouras e das decisões de investimento dos agricultores ao longo do ciclo.

Assim, embora as projeções indiquem a possibilidade de um terceiro recorde consecutivo, os resultados definitivos só poderão ser conhecidos após o desenvolvimento das lavouras e a conclusão da colheita.