O setor brasileiro de carne bovina trabalha com a expectativa de retomar as exportações para a União Europeia no primeiro semestre de 2027. A projeção foi apresentada pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, em meio às negociações entre o Brasil e o bloco europeu.

As exportações estão suspensas desde 3 de setembro de 2026, quando entraram em vigor as restrições da União Europeia à entrada de produtos de origem animal brasileiros. A medida está relacionada às exigências europeias sobre o controle e o uso de antimicrobianos na produção pecuária. O governo brasileiro afirma que mantém negociações com as autoridades europeias para buscar a retomada do comércio.

A situação é considerada mais complexa no caso da carne bovina por causa do longo ciclo de produção dos animais. Entre as exigências europeias está a comprovação de que o bovino permaneceu dentro dos padrões estabelecidos para o uso de determinadas substâncias desde o nascimento até o abate.

Esse requisito dificulta uma retomada imediata das vendas, já que o ciclo de criação de um bovino pode durar cerca de dois anos. Por isso, representantes do setor defendem a negociação de um período de transição, que permita ao Brasil voltar a exportar enquanto as novas regras de controle e rastreabilidade são implementadas de forma completa.

Segundo a Abiec, todas as indústrias associadas aderiram a um protocolo criado para atender às exigências europeias. Um dos desafios apontados pelo setor é ampliar a adesão dos pecuaristas aos procedimentos necessários para comprovar o cumprimento das regras ao longo da vida dos animais.

O mercado europeu tem importância significativa para a carne bovina brasileira, principalmente pelo valor pago pelo produto. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil exportou 87,1 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, movimentando US$ 762,3 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de 26,4% no volume exportado.

Em 2025, as vendas brasileiras de carne bovina para o bloco também superaram US$ 1 bilhão, mostrando a relevância do mercado europeu para os frigoríficos nacionais. Nos últimos quatro meses daquele ano, período considerado de maior demanda, foram mais de US$ 500 milhões em embarques.

Além da adequação dos protocolos brasileiros, o setor aguarda os próximos passos das autoridades europeias. O governo trabalha para apresentar informações e garantias adicionais sobre os controles adotados no país, enquanto também existe a expectativa de uma eventual auditoria europeia na cadeia produtiva brasileira.

A retomada, portanto, ainda depende de uma série de etapas técnicas e de uma negociação entre as duas partes. O Ministério da Agricultura ressalta que não é possível estabelecer, neste momento, uma data definitiva para a volta das exportações.

Para os exportadores, recuperar o acesso ao mercado europeu representa uma oportunidade importante, especialmente por se tratar de um destino que remunera a carne brasileira com preços elevados. A expectativa do setor é que as negociações avancem nos próximos meses e permitam a retomada dos embarques ao longo de 2027.