O mercado brasileiro de fertilizantes nitrogenados chega ao segundo semestre de 2026 com um ritmo de compras abaixo do observado nos últimos anos. Entre janeiro e agosto, as importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram aproximadamente 20% menores que no mesmo período de 2025.
Ureia concentra parte da retração
Entre os principais produtos nitrogenados, a ureia apresenta queda significativa. O Brasil importou cerca de 2,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, redução de aproximadamente 23% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
As compras de nitrato de amônio também diminuíram, com retração de 25% na comparação anual. Para a StoneX, a redução indica que os importadores terão de acelerar as aquisições nos próximos meses caso o objetivo seja recompor os estoques e aproximar os volumes dos patamares registrados em anos anteriores.
Compradores adotam postura de espera
Um dos fatores que ajudam a explicar o comportamento do mercado é a cautela dos compradores. Parte dos agentes estaria postergando novas negociações na expectativa de encontrar condições mais favoráveis no mercado internacional.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a possibilidade de aumento da oferta global de ureia também influencia essa estratégia. A eventual retomada das exportações chinesas pode ampliar a disponibilidade do produto e contribuir para uma pressão sobre as cotações.
Essa expectativa, porém, não elimina os riscos envolvidos na decisão de esperar.
Cenário internacional mantém incertezas
Mesmo com a possibilidade de uma maior oferta de ureia, o mercado internacional ainda enfrenta fatores capazes de limitar uma eventual queda nos preços.
Entre os pontos de atenção estão as condições de navegação no Estreito de Ormuz, os custos elevados do gás natural — importante matéria-prima para a fabricação de nitrogenados — e as incertezas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã.
O cenário geopolítico já provocou forte volatilidade no mercado de fertilizantes ao longo de 2026. Segundo a StoneX, as cotações da ureia chegaram a acumular alta próxima de 70% durante o período de maior tensão no Oriente Médio, antes de recuarem para níveis mais próximos dos observados anteriormente.
Próximos meses serão decisivos
Com a aproximação das necessidades de fertilização para a próxima temporada de milho, o comportamento das importações brasileiras passa a ser acompanhado de perto pelo setor.
A combinação entre estoques, preços internacionais, disponibilidade de cargas e condições logísticas deverá influenciar as decisões dos compradores. Ao mesmo tempo, uma eventual recuperação da demanda internacional pode aumentar a disputa pelas cargas disponíveis.
Para o mercado brasileiro, o desafio será equilibrar a busca por melhores preços com a necessidade de garantir a disponibilidade dos fertilizantes no período adequado para as aplicações agrícolas




