O país asiático passou a reforçar as inspeções de resíduos de agrotóxicos e medicamentos veterinários, medida que pode resultar na devolução de mercadorias, destruição de cargas e até suspensão de estabelecimentos exportadores.
O alerta foi encaminhado em outubro de 2026 pelo adido agrícola brasileiro em Pequim, Leandro Diamantino Feijó, ao Ministério da Agricultura. No documento, ele recomenda ampliar o monitoramento dos produtos antes do embarque, especialmente daqueles destinados ao mercado chinês, um dos principais compradores de commodities brasileiras.
A preocupação envolve diferenças entre as regulamentações dos dois países. Determinadas substâncias permitidas no Brasil possuem restrições ou são proibidas na China. Além disso, mesmo produtos autorizados podem gerar problemas quando apresentam resíduos acima dos limites máximos estabelecidos pelas autoridades chinesas.
Entre as recomendações estão a verificação das listas de agrotóxicos e medicamentos veterinários proibidos, o cumprimento das dosagens e dos períodos de carência e o fortalecimento dos controles sanitários nas propriedades e estabelecimentos exportadores.
Notificações envolvendo produtos brasileiros
Os registros apresentados pelo adido mostram que as ocorrências relacionadas a resíduos aumentaram nos últimos anos. Foram identificados 22 lotes em 2024, outros 13 em 2025 e cinco no primeiro semestre de 2026. Grande parte dos casos envolveu produtos de origem animal, com destaque para resíduos de fluazuron na carne bovina.
Além disso, dados da Administração Geral de Aduanas da China (GACC) apontam que os exportadores brasileiros de carne bovina receberam 320 notificações por diferentes inconformidades entre janeiro e agosto de 2026. No mesmo intervalo de 2025, haviam sido 167. Os registros incluem problemas com resíduos, temperatura e rotulagem, não exclusivamente questões relacionadas a medicamentos veterinários.
Rastreabilidade também preocupa o setor
Outro ponto levantado é a dificuldade de identificar a origem de resíduos encontrados nos produtos. Para o CEO da NeoAgro Consultoria, Luciano Vacari, a ausência de um sistema de rastreabilidade individual plenamente implementado na pecuária brasileira dificulta localizar os animais responsáveis pelas ocorrências.
O especialista também chama atenção para o fluazuron, medicamento utilizado no controle de parasitas na pecuária. Embora seja autorizado no Brasil, a presença de resíduos acima dos limites aceitos pela China pode comprometer a comercialização da carne.
Soja também entrou no radar
As exigências chinesas não se restringem à cadeia da carne bovina. Em novembro de 2025, uma suspeita de contaminação envolvendo trigo tratado com agrotóxicos levou ao cancelamento de uma carga de 69 mil toneladas de soja brasileira. Na ocasião, também foram suspensas as compras de cinco unidades pertencentes a quatro empresas.
Diante desse cenário, o alerta reforça a necessidade de adequação dos processos produtivos às exigências dos mercados compradores. Para o agronegócio brasileiro, o cumprimento das regras sanitárias e o aprimoramento da rastreabilidade são fundamentais para preservar o acesso à China e reduzir riscos nas exportações.



