Semana estadual reforça iniciativas que incentivam a permanência de jovens no campo, com estímulo à educação, inovação, infraestrutura e políticas públicas para a agricultura familiar.

“Eu vejo um futuro promissor no campo, como uma grande oportunidade de empreender e executar boas práticas”.

A frase é de Iuri Oliveira, 20 anos, que assumiu o processo de modernização da propriedade familiar em Urupema, onde a principal atividade é o cultivo da maçã.

Técnico agrícola recém-formado no Centro de Educação Profissional (Cedup) Caetano Costa, em São José do Cerrito, ele recebeu convites para trabalhar em outros lugares, mas preferiu retornar à propriedade familiar.

Lá, o avô e o pai, único filho que permaneceu no sítio, apoiaram iniciativas inovadoras que o jovem começou a apresentar.

“Produzir no campo é, para mim, um legado familiar. Sou feliz, (estou) cada vez mais vivo. (Aqui) Tenho oportunidade de introduzir novas tecnologias”.

“Meu avô e meu pai não tiveram oportunidades para adquirir conhecimentos técnicos. Hoje eu tenho mais facilidade para me aprimorar”, ele conta.

A entrevista feita pela jornalista Eduarda Demeneck para a TV Alesc por meio da plataforma Google Meet foi possível graças a uma chamada via Starlink, sistema de internet satelital, que demonstra como o jovem no campo hoje pode estar conectado ao mundo.

Iuri percebe que hoje os jovens estão voltados para processos que envolvam rentabilidade rápida, e entende que o tempo é diferente no meio rural.

“No sítio, precisa plantar e cuidar para colher. Tem que plantar, torcer para chover”. Mas, ele aponta vantagens emocionais importantes. “Estar junto da família é um fator de tranquilidade, e viver no campo representa conectividade com a natureza”.

Quando se pede para apontar as dificuldades enfrentadas, ele relata a escassez de mão de obra e de crédito. E demonstra maturidade para conjecturar sobre o que entende ser importante.

Fala que a garantia de recursos para viabilizar a produção é incentivo para quem está no campo. “Mas não é só buscar rentabilidade sem referências. É preciso produzir alimentos com qualidade”.

Semana de incentivo ao jovem do meio rural

Desde a última sexta-feira (24), e até o dia 30 de Julho, Santa Catarina celebra a Semana de Incentivo à Permanência dos Jovens no Meio Rural, instituída pela Lei 18.004, aprovada em 2020 na Assembleia Legislativa.

A proposta está conectada a várias iniciativas do Parlamento que visam afirmar políticas públicas em favor da população rural, que produz em cerca de 180 mil propriedades distribuídas nas diferentes regiões de Santa Catarina.

De forma ampliada, outra iniciativa tramitou na Alesc e resultou na Lei 19.142, criando a Política Estadual de Incentivo à Permanência de Jovens e Adultos no Meio Rural.

Qualidade do ensino e pedagogia da alternância

A lei preconiza a oferta de educação de qualidade aos filhos dos agricultores familiares, de modo que eles desenvolvam projetos experimentais em suas propriedades, aprendendo a trabalhar com saúde e segurança.

Também propõe a aproximação entre as comunidades e articulação com as instituições, a fim de garantir avanços na educação rural.

A ideia é valorizar experiências dos jovens como fontes de conhecimento válido, utilizando-as como ponto de partida para transformações pelo conhecimento, com ênfase às ciências agrárias, para formar cidadãos críticos, criativos e atuantes nos processos decisórios da comunidade.

Entre importantes propostas para a educação no meio rural está a pedagogia da alternância, em que jovens dividem períodos entre aulas presenciais em tempo integral com semanas em que estão com suas famílias nas propriedades, para que mantenham vínculos e sirvam de vetor à disseminação de conhecimento.