A relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas voltou a melhorar em agosto, em praticamente todas as cadeias. O indicador combina os preços das commodities e dos principais fertilizantes utilizados em cada cultura, oferecendo uma visão ampla da capacidade de aquisição de fertilizantes pelo produtor. A soja encerrou agosto com relação de troca de 27,98, ante 29,79 sacas por tonelada de fertilizante em julho, melhora de 6,1%. O resultado combina uma oferta global ampla, impulsionada pela produção recorde brasileira, com a expectativa de crescimento contínuo do consumo asiático, sobretudo da China, principal destino da oleaginosa brasileira.
O milho acompanhou a tendência, com recuo de 75,99 para 71,34 sacas por tonelada de fertilizante, também equivalente a uma melhora de 6,1%. A commodity encontrou alguma sustentação nos mercados internacionais, embora continue pressionada pelo elevado volume disponível na América do Sul e pela forte oferta brasileira.
O etanol também evoluiu: a relação de troca recuou 6,8%. Além dos fundamentos do setor sucroenergético, a valorização da energia e a dinâmica do mercado de combustíveis continuam influenciando a formação de preços do biocombustível.
A laranja ficou praticamente estável, com a relação em 127,35, ante 127,27 sacas em julho. Ambos refletem um mercado ainda sustentado pelos efeitos do greening sobre a produção global de citros e pela restrição estrutural da oferta de suco concentrado.
Apesar da melhora observada em agosto, a comparação com o mesmo mês de 2025 revela um cenário menos uniforme.
A soja é uma das poucas culturas que apresenta evolução positiva na base anual. A relação de troca teve melhora de 5,5%, indicando condições mais favoráveis para aquisição de fertilizantes do que no mesmo período do ano passado. A celulose também registra melhora anual, com redução de 4,0% na relação de troca.
A recuperação observada em agosto ocorre após um período de forte pressão sobre os fertilizantes durante o segundo e o terceiro trimestre.
O mercado internacional reagiu ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevou os riscos associados ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para energia, fertilizantes e derivados petroquímicos. Como o gás natural é um insumo essencial na fabricação de fertilizantes nitrogenados, os preços passaram a incorporar um prêmio relevante de risco geopolítico.
Ao mesmo tempo, novos ataques a refinarias, instalações industriais e estruturas ligadas à cadeia química no conflito entre Rússia e Ucrânia ampliaram a percepção de risco sobre a oferta mundial de nutrientes.
O resultado de agosto sugere que o pico de deterioração da relação de troca pode ter ficado para trás em diversas culturas. No entanto, a comparação anual mostra que a recuperação ainda não foi suficiente para compensar o impacto da alta dos fertilizantes observada ao longo de 2026.
Fonte: GlobalFert




