Segundo relatório da consultoria Itaú BBA Agro, a produção brasileira de ovos deverá avançar entre 4 % e 5 % em 2026, impulsionada pela queda nos custos da ração e pela recuperação do consumo doméstico.
No primeiro semestre de 2025, o país já somou 2,447 bilhões de dúzias de ovos produzidos, com alta anual de 7,6 % conforme dados do IBGE citados no documento. Desse volume, 83 % foram destinados ao consumo interno, que registrou crescimento de 9,2 %; a produção para incubação aumentou apenas 0,8 %.
Motivos do otimismo
- A safra maior de milho deve incrementar os estoques de passagem no início de 2026, “despencando” o custo da ração e favorecendo produtores de postura.
- Os preços internos de ovos vêm recuando desde o pico sazonal, porém as margens continuam positivas graças à redução dos insumos.
- Também há espaço para expansão das exportações — atualmente menos de 1 % da produção — desde que o mercado americano seja retomado.
Evolução de preços e margens
No mercado atacadista, a caixa de 30 dúzias passou de R$ 248 em março para R$ 173 em média em outubro. Ao produtor, o valor seguiu de R$ 204 para R$ 142 por caixa no mesmo intervalo.
Segundo o relatório, parte dessa queda foi contrabalançada pelo recuo nos custos da ração: o milho acumula retração de 27 % desde março, e a soja manteve-se estável.
Indicadores de oferta futura
Um termômetro de oferta futura, o alojamento de pintainhas, mostrou desaceleração após maio; até agosto, o crescimento foi de apenas 1,6 %, com 94,4 milhões de cabeças alojadas.
Essa desaceleração sugere um ritmo de expansão controlado, compatível com o cenário de leve crescimento estimado para 2026.
Exportações e consumo interno
Apesar de representar menos de 1 % da produção nacional, as exportações de ovos cresceram 44,8 % até setembro, totalizando 46 mil toneladas — notável avanço considerando os entraves sanitários recentes e tarifas externas.
Por outro lado, o consumo per capita no Brasil chega a 269 unidades em 2024, com crescimento médio de cerca de 4 % ao ano na última década, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Desafios e oportunidades estruturais
O setor de postura no Brasil permanece altamente fragmentado, com diferentes níveis de tecnologia e gestão, o que oferece espaço para ganhos de eficiência e consolidação empresarial.
Outro ponto estratégico destacado no relatório é a sanidade avícola: reforço da biosseguridade e vigilância são fundamentais para preservar o status sanitário do país e garantir o acesso aos mercados internacionais.




