O mercado internacional de alimentos voltou a registrar alta em setembro. Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o índice global de preços chegou a 136 pontos, avanço de 1,5% em relação a agosto e de 5,8% na comparação com setembro de 2025. O resultado representa o maior patamar desde novembro de 2022.
A elevação foi influenciada principalmente pelo comportamento dos cereais, açúcar e óleos vegetais, enquanto os preços das carnes recuaram no período. Problemas logísticos em importantes rotas comerciais e preocupações relacionadas ao clima também contribuíram para pressionar as cotações internacionais.
Cereais puxam avanço
Entre os grupos acompanhados pela FAO, os cereais apresentaram uma das principais altas. O índice do segmento subiu 5,1% em setembro, ficando 17,2% acima do registrado um ano antes.
O trigo teve valorização de 6,3% no mês, alcançando o maior nível desde agosto de 2023. Entre os fatores citados estão as dificuldades logísticas no Mar Negro e o clima seco em algumas áreas da América do Norte antes do plantio do trigo de inverno.
O milho também avançou, com alta de 5,6%, em meio a expectativas de menor produtividade nos Estados Unidos, redução da disponibilidade para exportação brasileira e dificuldades no comércio pelo Mar Negro.
Já o índice internacional do arroz aumentou 1,4%, influenciado por preocupações climáticas e pela redução sazonal da oferta.
Açúcar registra nova valorização
O açúcar teve alta de 6,1% em setembro, acumulando o terceiro mês consecutivo de avanço. A FAO relaciona o movimento às perspectivas de uma oferta mundial mais apertada na temporada 2026/27.
Entre os fatores estão expectativas de menor produção na Tailândia, condições de chuva abaixo do normal na Índia, efeitos associados ao fortalecimento do El Niño e chuvas intensas que prejudicaram a colheita de cana no Centro-Sul do Brasil.
Óleos vegetais sobem; carnes recuam
O índice de óleos vegetais cresceu 0,9%, principalmente devido à valorização do óleo de palma. A demanda internacional elevada e preocupações com o clima no Sudeste Asiático contribuíram para o resultado.
Na direção contrária, o índice de preços das carnes caiu 1,1%. A retração foi influenciada principalmente pelas cotações de carne suína e de frango, diante da maior disponibilidade para exportação.
A carne bovina, porém, apresentou comportamento diferente: os preços de exportação do produto brasileiro subiram, apoiados pela maior demanda dos Estados Unidos.
Produção mundial de cereais
Apesar da pressão sobre os preços, a FAO estima uma produção mundial de cereais de 2,979 bilhões de toneladas em 2026. O volume representaria uma queda de 2,1% em relação a 2025, mas ainda seria a segunda maior safra já registrada.
Para a FAO, os problemas de transporte, as condições climáticas e as incertezas nas principais rotas comerciais seguem como fatores importantes para o comportamento dos preços agrícolas nos próximos meses.




