O financiamento da produção rural passa por um período de transformação no Brasil. Embora o Plano Safra continue como uma das principais fontes de recursos para produtores, o cenário de juros mais altos e menor participação de crédito subsidiado tem levado o setor a buscar alternativas no mercado privado.
Para a safra 2025/2026, foram anunciados R$ 605 bilhões em recursos para a agricultura empresarial e familiar. Mesmo com o volume expressivo, especialistas avaliam que o produtor precisa diversificar suas fontes de financiamento para reduzir a dependência das linhas tradicionais.
Uma das alternativas está no mercado de capitais. Dados citados pela Arara Seed apontam que entre 25% e 30% do estoque de crédito destinado ao agronegócio já tem origem nesse segmento. Instrumentos como as Cédulas de Produto Rural (CPRs) estruturadas e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) vêm ampliando as possibilidades de captação.
Esse movimento, porém, exige mudanças na gestão das propriedades e empresas rurais. Para acessar investidores e novas modalidades de crédito, não basta apresentar uma atividade produtiva rentável. É necessário demonstrar capacidade financeira e oferecer informações organizadas sobre o negócio.
Entre os pontos que podem dificultar a obtenção desses recursos estão a ausência de demonstrações financeiras estruturadas, falta de planejamento do fluxo de caixa, contratos pouco formalizados e a mistura entre despesas pessoais e empresariais.
Nesse contexto, a gestão financeira passa a ser parte estratégica da atividade rural. A separação entre patrimônio pessoal e empresarial, a formalização dos contratos e o acompanhamento de receitas, despesas e indicadores podem aumentar a transparência e facilitar a avaliação por instituições financeiras e investidores.
A expansão das alternativas privadas não significa o fim da importância do Plano Safra. A tendência é de que diferentes fontes de recursos sejam utilizadas de maneira complementar, permitindo que produtores encontrem soluções mais adequadas às necessidades de cada operação.
Para Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, o avanço da produtividade precisa caminhar junto com uma gestão financeira mais estruturada. A preparação das empresas e propriedades pode ser determinante para ampliar o acesso ao crédito e garantir recursos para a continuidade e expansão das atividades.
Fonte: Fonte: Agrolink




