A pecuária de corte de Santa Catarina tem avançado no melhoramento genético dos rebanhos, resultado de um trabalho contínuo realizado pelos produtores e do aprimoramento das técnicas de seleção animal. A evolução contribui para a qualidade da carne, o rendimento das carcaças e a eficiência produtiva, além de ampliar a presença da genética catarinense em exposições e competições do setor.
De acordo com o professor Diego Cucco, do Grupo de Melhoramento Genético da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a evolução dos rebanhos ocorreu durante anos em um cenário de restrições sanitárias, que limitavam a entrada de animais de outras regiões. Com isso, os produtores precisaram desenvolver a genética a partir dos próprios rebanhos.
Nos últimos anos, a ampliação das possibilidades de entrada de animais de outras procedências também passou a contribuir para esse processo. Outro fator destacado pelo professor é a mudança no perfil dos leilões, especialmente após a pandemia, quando as transmissões pela internet ganharam espaço.
“Antigamente, muitas vezes se vendia em leilões animais de refugo, de descarte, e hoje é completamente diferente a situação. Os produtores levam bons animais, porque vai ficar ali sendo transmitido para várias pessoas, regiões”, explica Cucco.
Segundo ele, os eventos passaram a funcionar como vitrines para as propriedades, já que as transmissões ficam disponíveis na internet e permitem que compradores de diferentes localidades conheçam os animais e seus criadores.
Genética influencia a qualidade da carne
O melhoramento genético é um dos pilares da produção de bovinos de corte. A seleção de animais com características desejáveis pode contribuir para melhorar a qualidade da carcaça, a conversão alimentar e a adaptação às condições ambientais.
Cucco ressalta que os resultados dependem de planejamento e de um trabalho conduzido ao longo dos anos. “Em pecuária, a gente não pensa em menos que 10 anos pensando em melhoramento genético”, afirma.
O professor destaca que a genética precisa estar associada a outros fatores, como nutrição adequada, sanidade e bem-estar animal. A interação entre as características genéticas e o ambiente em que o bovino é criado influencia diretamente o desempenho produtivo.
Quando esses elementos são trabalhados em conjunto, o resultado pode ser uma carne de melhor qualidade, maior rentabilidade para o produtor e melhor aproveitamento dos recursos utilizados na atividade.
Genética catarinense conquista espaço
Mesmo com predominância de pequenas propriedades rurais, Santa Catarina tem conquistado reconhecimento pelo trabalho desenvolvido na seleção e no aprimoramento dos rebanhos.
Conforme Cucco, animais provenientes do estado vêm obtendo resultados expressivos na Expointer, uma das principais exposições agropecuárias do país, realizada no Rio Grande do Sul.
“Hoje nossa genética dos nossos rebanhos vai até o Rio Grande do Sul e conquista vários prêmios, como foi no ano passado, nos outros últimos anos e neste ano também, consolidando a genética catarinense como algo muito bem feito”, destaca.
Para o professor, as premiações refletem o trabalho realizado pelos criadores, que mantêm programas de melhoramento bem conduzidos e investem na evolução dos animais ao longo das gerações.
Estado busca ampliar produção de carne bovina
Apesar dos avanços na qualidade genética dos rebanhos, Santa Catarina ainda enfrenta um desafio relacionado ao volume de produção. Segundo Cucco, aproximadamente metade da carne bovina consumida no estado vem de outras regiões brasileiras.
A dependência de fornecedores externos evidencia a necessidade de ampliar a produção local para atender à demanda dos consumidores catarinenses.
“Um dos grandes objetivos de vida que eu tenho é que a gente possa cada vez aumentar mais nossa produção aqui para que a gente coma a nossa própria carne e não precise importar basicamente de outros estados do Brasil”, afirma o professor.
Além de fortalecer a cadeia produtiva estadual, o aumento da oferta local pode contribuir para reduzir a necessidade de transporte de carne por longas distâncias e ampliar as oportunidades para os produtores.
Nesse cenário, o melhoramento genético, aliado à nutrição, à sanidade e ao manejo adequado, representa uma das ferramentas para elevar a eficiência da pecuária de corte catarinense. O avanço, porém, depende da continuidade dos investimentos e do planejamento de longo prazo nas propriedades.
Fonte: Geórgia Cecatto




