O Brasil tende a manter a liderança global nos embarques de carne bovina e de frango em 2026, apesar das mudanças no comportamento da demanda internacional. Ao mesmo tempo, a inversão do ciclo pecuário e as incertezas no mercado de grãos exigem maior planejamento dos produtores e da indústria. Nesse cenário, os frigoríficos devem manter o foco nas exportações, na abertura de novos mercados e na agregação de valor aos produtos brasileiros.
Esse panorama foi apresentado durante webinar promovido pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com a Safras & Mercado. Com o tema “Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado de Carnes e Leite”, o encontro reuniu produtores rurais, técnicos, dirigentes sindicais e representantes do agronegócio para acompanhar informações estratégicas sobre as tendências que devem influenciar os mercados brasileiro e internacional nos próximos meses.
O analista de mercado sênior da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, destacou que as exportações brasileiras de carnes mantêm ritmo elevado em 2026 e que o cenário internacional amplia as oportunidades para o País. Segundo ele, as disputas comerciais entre grandes economias colocam o Brasil em posição estratégica e aumentam a necessidade de diversificação dos destinos.
No mercado de carne bovina, Iglesias observou que a salvaguarda chinesa alterou a dinâmica dos embarques brasileiros. “Exportamos um volume expressivo no primeiro semestre, mas, em julho, quando iniciou um processo de desaceleração das exportações para o mercado chinês, registramos o pior resultado do ano”.
Em 2026, porém, a definição de cotas pelo governo chinês para os principais fornecedores antecipou a disputa pelo mercado. “Houve uma corrida muito forte pelas exportações. Quem chegou primeiro conseguiu uma fatia maior desse mercado, tanto entre exportadores quanto entre importadores”, explicou.
Segundo o analista, esse cenário amplia a necessidade de reduzir a dependência da China, atualmente responsável por quase metade das exportações brasileiras. Japão e Coreia do Sul estão entre os destinos considerados prioritários.
Iglesias mencionou, ainda, que há a possibilidade de os estados da Região Sul estarem entre os primeiros habilitados a exportar carne bovina brasileira ao Japão, o que poderá abrir novas oportunidades para Santa Catarina e outras regiões reconhecidas pelo elevado padrão sanitário.
Para as carnes suína e de frango, os embarques seguem em patamar elevado. No caso do frango, foram exportadas 505 mil toneladas apenas em julho, um dos maiores volumes da história. Mesmo com esse desempenho, ainda há oferta significativa no mercado doméstico.
No segmento suíno, porém, o analista chamou a atenção para a queda da receita das exportações em julho. As Filipinas, um dos principais destinos do produto brasileiro, têm pago valores inferiores aos registrados em outros períodos, situação que aumenta a instabilidade do mercado.
De acordo com o palestrante, a demanda norte-americana permanece aquecida ao longo do ano. Por outro lado, questões sanitárias continuam no radar do mercado internacional, como a influenza aviária, os registros de peste suína africana (PSA) na Europa e na Ásia e os episódios de febre aftosa identificados em países como Rússia e China. Esses fatores podem alterar fluxos comerciais e abrir espaço para fornecedores com maior segurança sanitária.
Para Iglesias, a indústria frigorífica brasileira deverá manter as exportações entre suas prioridades, com atenção à abertura de novos destinos, à redução da dependência de poucos compradores e à agregação de valor aos produtos nacionais.
Fonte: MB Comunicação




