O comportamento do clima será um dos principais pontos de atenção para o agronegócio brasileiro durante a safra 2026/27. A possibilidade de avanço do El Niño aumenta as incertezas para o período de plantio e desenvolvimento das principais culturas de verão, especialmente com a aproximação da estação chuvosa.
A avaliação consta no relatório AgroInfo 2026, produzido pelo RaboResearch, área de inteligência e pesquisa do Rabobank. O documento aponta que as condições climáticas precisarão ser acompanhadas de forma frequente nos próximos meses, principalmente nas regiões produtoras do Brasil Central.
Fenômeno pode ganhar força
Dados recentes da NOAA apontam para a formação do El Niño a partir de julho de 2026. As projeções indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
A tendência é de fortalecimento durante o verão do Hemisfério Sul, seguido por uma perda gradual de intensidade até o final do primeiro trimestre de 2027.
Os impactos, porém, podem variar de acordo com a região. Em eventos mais fortes, o Sul do Brasil tende a apresentar maior volume de chuva, enquanto áreas das regiões Central e Norte podem enfrentar precipitações mais irregulares. O aumento das temperaturas também aparece como um fator de preocupação.
Chuva pode ter comportamento diferente entre as regiões
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica possibilidade de chuvas abaixo da média entre setembro e novembro em partes do Norte, Nordeste e no norte de Minas Gerais.
Em outras áreas do país, a expectativa é de volumes acima da média. A Região Sul aparece entre as áreas com maior possibilidade de excesso de umidade, situação que pode dificultar atividades como plantio, colheita e aplicação de defensivos agrícolas.
As temperaturas também devem permanecer elevadas. Em algumas regiões, as projeções apontam para valores de até 2°C acima da média.
O calor pode aumentar a evaporação e a perda de água pelo solo e pelas plantas. Com isso, a distribuição regular das chuvas ganha ainda mais importância para manter as condições adequadas ao desenvolvimento das lavouras.
Próximas semanas serão decisivas
Para o Rabobank, os próximos 30 a 45 dias serão importantes para definir o comportamento do início da temporada de chuvas no Brasil Central.
A chegada e a regularização das precipitações são fundamentais para garantir umidade no solo e permitir o avanço da semeadura das culturas de verão dentro do calendário esperado.
Qualquer atraso significativo pode interferir no planejamento das lavouras de soja e milho. A situação também pode ter reflexos sobre a segunda safra de milho, cuja janela de cultivo depende diretamente do momento em que a soja é semeada e posteriormente colhida.
Apesar dos riscos apontados, o relatório considera que ainda é cedo para relacionar diretamente a presença do El Niño com possíveis perdas expressivas de produtividade.
Café teve condições favoráveis para a colheita
No setor cafeeiro, a redução das chuvas registrada no último mês contribuiu para o andamento da colheita brasileira. O tempo mais seco favoreceu tanto a retirada dos frutos quanto os processos de secagem.
Com a colheita entrando na reta final, a preocupação passa a ser o comportamento das chuvas durante a próxima etapa de desenvolvimento das plantas.
Planejamento será fundamental
Diante das incertezas climáticas, o acompanhamento das previsões meteorológicas deve fazer parte das decisões dos produtores durante a nova safra.
O momento de plantio, as estratégias de manejo do solo e a escolha das cultivares podem ser ajustados de acordo com a evolução das condições climáticas.
Para a safra 2026/27, a combinação entre temperaturas elevadas, disponibilidade de água e distribuição das chuvas deverá ser determinante para o desempenho das lavouras brasileiras.




