Santa Catarina vive um cenário de crescimento populacional, mas o avanço não ocorre de maneira uniforme em todas as regiões. Enquanto o litoral e os principais centros urbanos continuam atraindo moradores e investimentos, municípios de pequeno porte do interior enfrentam redução no número de habitantes, especialmente entre a população mais jovem.

As estimativas mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que Santa Catarina chegou a 8,18 milhões de habitantes, contra 7,61 milhões registrados no Censo de 2022. Ao mesmo tempo, algumas cidades apresentam população reduzida ou trajetória de queda. É o caso de Barra Bonita, com 1.642 habitantes; Presidente Castello Branco, com 1.707; Santiago do Sul, com 1.732; e Lajeado Grande, com 1.791.

Outros municípios também registraram redução populacional entre 2022 e 2025. Coronel Martins passou de 2.065 para 1.993 moradores; Romelândia caiu de 4.823 para 4.684; e Xavantina, de 3.653 para 3.583 habitantes.

Para Vanir Zanatta, presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina), o fenômeno vai além dos números demográficos. A diminuição da população pode representar a perda de consumidores, trabalhadores, estudantes e empreendedores, além de afetar a continuidade de propriedades rurais e empresas familiares.

Um dos principais pontos de preocupação é a saída dos jovens. Com menos oportunidades de trabalho, estudo e desenvolvimento profissional nas pequenas cidades, parte dessa população migra para centros maiores. Esse movimento também pode dificultar a sucessão nas propriedades rurais, colocando em risco a continuidade de atividades que são importantes para a economia de diversas comunidades.

O reflexo também aparece no eleitorado. Em 2026, 74 dos 295 municípios catarinenses registraram menos eleitores aptos a votar do que em 2022. Na avaliação de Zanatta, a redução populacional pode criar um ciclo em que a diminuição do número de moradores reduz o dinamismo econômico e, consequentemente, estimula novas migrações.

Entre os fatores que contribuem para esse movimento estão a busca por emprego, renda, educação, atendimento de saúde e melhores oportunidades profissionais. O desafio, segundo o presidente da OCESC, não está em impedir a migração, mas em criar condições para que permanecer no interior também seja uma alternativa viável para as famílias.

Nesse contexto, o cooperativismo é apresentado como uma ferramenta capaz de contribuir para a manutenção da atividade econômica nos pequenos municípios. As cooperativas não substituem as políticas públicas nem solucionam sozinhas a questão demográfica, mas podem atuar na geração de renda, oferta de serviços, acesso ao crédito e fortalecimento das atividades produtivas locais.

No setor agropecuário, as cooperativas auxiliam produtores na comercialização, oferecem assistência técnica, disseminam tecnologias e facilitam o acesso aos mercados. Em cadeias como grãos, leite, aves, suínos e bovinos, essa estrutura permite que produtores tenham maior capacidade de negociação e acesso a serviços que podem contribuir para a sustentabilidade das propriedades.

A atuação também se estende a outros segmentos. As cooperativas de infraestrutura contribuem para levar energia a propriedades rurais, agroindústrias e comunidades, enquanto as cooperativas de crédito oferecem serviços financeiros e alternativas de financiamento para produtores, empresas e moradores.

Em âmbito nacional, dados de 2025 mostram que o cooperativismo de crédito estava presente em 1.072 municípios que não contavam com agência bancária tradicional. Para o setor, a presença nessas localidades representa uma forma de ampliar o acesso a crédito e serviços financeiros, além de favorecer a circulação de recursos dentro das próprias regiões.

O impacto das cooperativas, porém, vai além da atividade econômica. A geração de empregos, investimentos, capacitação e inovação pode contribuir para manter recursos e oportunidades nos municípios onde as cooperativas estão inseridas. Como são formadas por associados que vivem e trabalham nessas comunidades, suas atividades tendem a manter uma relação direta com as necessidades locais.

Para enfrentar a redução populacional no interior, no entanto, também são necessárias ações do poder público. Investimentos em infraestrutura, conectividade, educação, saúde, habitação e inovação são apontados como fatores importantes para ampliar as condições de permanência da população nas pequenas cidades.

O desafio para Santa Catarina é conciliar o crescimento populacional registrado no Estado com um desenvolvimento mais equilibrado entre as diferentes regiões. Para o Sistema OCESC, o fortalecimento do cooperativismo pode fazer parte dessa estratégia ao contribuir para a geração de renda, a manutenção das atividades produtivas e a criação de oportunidades no interior.

A discussão sobre a permanência da população nas pequenas cidades envolve, portanto, não apenas a quantidade de moradores, mas a capacidade de cada comunidade de oferecer trabalho, serviços e perspectivas para as novas gerações. Nesse cenário, as cooperativas aparecem como um dos instrumentos que podem ajudar a manter a atividade econômica e os vínculos sociais em municípios de menor porte.