Fenômeno climático deve ser fraco e de curta duração, com impactos localizados sobre a agricultura; Rio Grande do Sul pode registrar chuvas abaixo da média.
A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a presença do fenômeno climático La Niña no Pacífico Equatorial. Segundo boletim divulgado recentemente, o evento já está em curso e deve persistir até, pelo menos, fevereiro de 2026, com transição para neutralidade prevista entre janeiro e março. A atual fase, no entanto, é considerada fraca, com resfriamento das águas entre –0,5°C e –0,9°C, o que sugere efeitos limitados sobre o clima global, especialmente no Brasil.
A expectativa é que o fenômeno atinja sua maior intensidade em dezembro, mas perca força nos primeiros meses do próximo ano.
Efeitos no Sul do Brasil
De acordo com o meteorologista Flávio Varone, do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), os efeitos mais perceptíveis do La Niña devem ocorrer entre novembro e dezembro, especialmente no Rio Grande do Sul. Os modelos analisados indicam redução nas chuvas e umidade abaixo da média histórica, o que pode exigir maior atenção dos produtores rurais, embora não se prevejam impactos severos à safra.
“O mês de outubro ainda deve ter chuvas regulares, favorecendo o preparo do solo e os níveis dos reservatórios”, explicou Varone. A partir de novembro, com a diminuição da nebulosidade, as temperaturas devem subir, aumentando a evapotranspiração e a perda de umidade do solo — o que exigirá maior cuidado com a irrigação e o manejo hídrico nas propriedades.
Para janeiro e fevereiro, a previsão aponta para retorno à normalidade climática, com chuvas mais regulares e condições típicas do verão, favorecendo culturas como soja, milho e arroz. No entanto, Varone alerta para o risco de queda de umidade em áreas isoladas durante o final da primavera, o que pode afetar o ritmo do plantio em lavouras implantadas entre o final de outubro e o início de novembro.
Recomendações para os produtores
Diante do cenário, o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul (Copaaergs) divulgou uma série de orientações técnicas para mitigar os efeitos do La Niña em diversas culturas — de grãos e arroz a hortaliças, fruticultura, silvicultura e pastagens.
Entre as principais recomendações estão:
- Adotar sistemas de irrigação, sempre que possível;
- Monitorar a real necessidade de água das culturas para evitar desperdícios e garantir eficiência no uso da irrigação;
- Implantar plantas de cobertura para melhorar as condições do solo e reduzir perdas por evapotranspiração.
A recomendação geral dos especialistas é que os produtores aproveitem o atual período úmido para planejar ações preventivas, especialmente nas regiões onde o La Niña pode ter efeitos mais concentrados.

Fonte: Com informações de O Estadão