O cenário de custos elevados deve levar agricultores de diferentes partes do mundo a adotar uma postura mais cautelosa nos próximos meses. A combinação entre preços altos de equipamentos, insumos e mão de obra, além da possibilidade de redução nas cotações das commodities, está fazendo produtores planejarem cortes nos gastos e buscarem alternativas mais econômicas.
A constatação faz parte de um levantamento realizado pela consultoria norte-americana McKinsey. O relatório, divulgado nesta terça-feira (8), reúne entrevistas com 5,5 mil agricultores de dez países, realizadas entre abril e julho.
Participaram da pesquisa produtores dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Espanha, Brasil, Argentina, Peru, China e Índia.
De acordo com o estudo, em grande parte dos países pesquisados, o número de produtores que pretende diminuir os investimentos nos próximos 12 a 18 meses supera a parcela daqueles que planejam ampliar os gastos.
Argentina, Canadá, Índia e Brasil estão entre os países onde essa tendência aparece com maior intensidade. A França foi a exceção, sendo o único país em que predominou a intenção de aumentar os investimentos.
Fertilizantes lideram lista de possíveis cortes
Os fertilizantes aparecem como o principal alvo dos produtores caso as margens de lucro sofram uma nova pressão.
Pela primeira vez desde o início da pesquisa, em 2020, mais de um terço dos entrevistados indicou esse insumo como o primeiro item que seria reduzido em um cenário de necessidade de contenção de despesas. Ao todo, 36% apontaram os fertilizantes.
Na sequência aparecem as máquinas agrícolas, citadas por 16% dos produtores, e os fungicidas, mencionados por 15%.
Os resultados mostram que a preocupação com os custos está levando os produtores a avaliar com mais atenção onde cada recurso será aplicado e quais despesas podem ser reduzidas sem comprometer a produção.
Genéricos ganham espaço no planejamento
Além da redução dos gastos, outra tendência identificada pela pesquisa é a maior disposição para substituir defensivos agrícolas de marcas por alternativas genéricas.
Os produtos genéricos utilizam tecnologias cujas patentes já expiraram e, em muitos casos, apresentam preços mais baixos em comparação aos produtos de marca.
Com exceção dos produtores de commodities agrícolas da Ásia, sem considerar a China, a intenção de realizar essa mudança aparece na maioria das regiões analisadas.
Na América do Norte, 36% dos entrevistados afirmaram que pretendem aumentar o uso de defensivos genéricos nos próximos dois anos. Na China, o índice chega a 35%. Na América Latina, são 33%, enquanto na Europa, 30%.
O movimento indica que a busca por redução de custos deve continuar influenciando as decisões dos produtores rurais, especialmente diante das incertezas relacionadas aos preços das commodities e à rentabilidade das propriedades.