O Banco do Brasil trabalha com a expectativa de reestruturar aproximadamente R$ 30 bilhões em financiamentos rurais por meio das condições previstas na Medida Provisória 1.376/2026. A informação foi apresentada nesta quinta-feira (13) pelo vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Gilson Bittencourt.
A nova modalidade permite a reorganização dos débitos com encargos que vão de 5% a 12% ao ano e prazo de até oito anos. Para que o mecanismo comece a ser utilizado, porém, o BB depende de uma portaria do Tesouro Nacional autorizando a equalização das taxas. A instituição espera que a regulamentação seja publicada até sexta-feira (14).
O volume de contratos que pode ser enquadrado na medida é bem maior que a previsão de adesão do banco. Segundo o BB, existem mais de R$ 100 bilhões em operações potencialmente elegíveis, distribuídas entre até 113 mil clientes.
A carteira inclui R$ 36,7 bilhões em contratos que já apresentam inadimplência. Outros R$ 63,5 bilhões estão em financiamentos que continuam sendo pagos, mas que passaram anteriormente por processos de prorrogação ou renegociação.
Enquanto aguarda a regulamentação, o Banco do Brasil já começou a identificar o interesse dos produtores. Mais de 31 mil clientes que atendem aos critérios da medida foram contatados pela instituição sobre a possibilidade de aderir às novas condições.
O cenário também aparece nos números de provisões do banco. Até junho, o BB havia reservado R$ 43,6 bilhões para cobrir possíveis perdas relacionadas às operações de crédito rural. Um ano antes, esse montante era de R$ 26,8 bilhões.
A expectativa é que a regulamentação da medida abra caminho para que os produtores enquadrados possam reorganizar seus compromissos financeiros, reduzindo a pressão das dívidas por meio de taxas controladas e um período maior para pagamento.