Genética Charolês ganha espaço na pecuária brasileira e mercado de sêmen deve avançar em 2026

A genética da raça Charolês vem conquistando cada vez mais espaço na pecuária de corte brasileira, impulsionada principalmente pelo interesse dos produtores em melhorar o desempenho dos animais e elevar a produção de carne.

Os números de 2026 indicam um avanço expressivo nesse mercado. Até maio, a comercialização de sêmen da raça já correspondia a metade de todo o volume vendido ao longo de 2025. Diante desse ritmo, a Associação Brasileira de Criadores de Charolês estima que as vendas neste ano possam chegar a quase o dobro do resultado registrado no ano passado.

Um dos fatores que explicam essa expansão é a utilização do Charolês em cruzamentos com diferentes grupos genéticos. A raça é empregada tanto em cruzamentos com animais taurinos quanto zebuínos, buscando características que contribuam para maior eficiência na produção de carne.

Entre os resultados observados estão ganhos no rendimento de carcaça, que podem variar de 2% a 3% nos animais cruzados. Em determinados sistemas de produção, também já foram registrados animais abatidos com até 60 a 70 quilos a mais em relação aos animais utilizados como referência.

O avanço da tecnologia também começa a transformar o processo de seleção da raça. Em 2026, foram iniciadas as primeiras coletas de material para análises genômicas, com a expectativa de que o processamento dos dados ocorra em 2027. A iniciativa deve ampliar o conjunto de informações utilizado pelos criadores na escolha de reprodutores e na definição dos acasalamentos.

A raça também participa do Programa de Melhoramento de Bovinos de Corte (Promebo), que reúne dados de desempenho e características relacionadas à qualidade da carcaça. Essas informações auxiliam os produtores na identificação de animais com maior potencial para atender aos objetivos de cada sistema de criação.

Outro recurso importante é a ultrassonografia de carcaça, utilizada ainda durante a vida do animal para avaliar características ligadas à produção e à qualidade da carne. A técnica permite obter informações sobre aspectos como marmoreio e desenvolvimento das peças, dados que podem orientar a seleção genética de acordo com o perfil de carne desejado pelo mercado.

Com a combinação entre melhoramento genético, ferramentas de avaliação e novas tecnologias, a raça Charolês amplia sua participação na pecuária brasileira e reforça seu papel nos sistemas voltados à produção de carne de maior eficiência.

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