O avanço da produção de milho no Brasil tem colocado um antigo problema do agronegócio novamente em evidência: a falta de espaço adequado para armazenar a safra. Diante do cenário, produtores defendem a criação de uma política permanente de investimentos em estruturas de armazenagem e sistemas de irrigação.
A proposta é que esses recursos sejam disponibilizados por meio de um programa específico e de longo prazo, sem depender exclusivamente das linhas de financiamento oferecidas pelo Plano Safra. A intenção é estimular a construção de silos e armazéns dentro das propriedades e em regiões produtoras, permitindo que os agricultores tenham mais autonomia para comercializar a produção.
Atualmente, a capacidade de armazenagem brasileira está muito abaixo do volume de grãos produzido. A diferença já ultrapassa 130 milhões de toneladas. O descompasso ocorre principalmente porque a produção vem crescendo em velocidade superior à expansão da infraestrutura.
Nos últimos dez anos, a colheita nacional aumentou, em média, 17 milhões de toneladas por ano. No mesmo período, a capacidade de armazenamento avançou apenas entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas anuais. A diferença entre esses dois ritmos acaba pressionando produtores, que muitas vezes precisam comercializar os grãos logo após a colheita por falta de espaço.
Além de evitar perdas e reduzir a dependência de estruturas externas, a ampliação da armazenagem pode dar ao produtor melhores condições para decidir quando vender a produção, especialmente em períodos de preços menos favoráveis.
Outro fator que deve aumentar essa necessidade é o crescimento da indústria de transformação do milho. A instalação de novas usinas de etanol fabricado a partir do cereal em diferentes regiões do país tende a elevar o consumo da matéria-prima e, consequentemente, a demanda por estruturas capazes de receber e conservar os grãos.
Para o setor produtivo, ampliar a infraestrutura de armazenagem deixou de ser apenas uma questão logística e passou a ser uma medida estratégica para acompanhar o crescimento do agronegócio brasileiro. A expectativa é que políticas de longo prazo consigam aproximar a expansão dos armazéns do ritmo de crescimento das lavouras.