O Brasil está cada vez mais próximo de assumir a liderança mundial nas exportações agrícolas. Depois de décadas de domínio dos Estados Unidos, o país ganhou espaço no mercado internacional e pode terminar 2026 à frente dos norte-americanos em volume de vendas externas do agronegócio.
Em 2025, as exportações agrícolas dos Estados Unidos alcançaram cerca de US$ 171 bilhões, enquanto o Brasil ficou pouco atrás. Para este ano, a projeção do governo norte-americano é de US$ 177,5 bilhões em vendas ao exterior. Já o Brasil, mantendo o desempenho atual, poderá chegar a aproximadamente US$ 180 bilhões.
Essa mudança não aconteceu de forma repentina. O avanço brasileiro é resultado de décadas de investimentos em pesquisa, tecnologia e modernização da produção. Nesse processo, a Embrapa teve participação importante ao contribuir para o desenvolvimento de técnicas que aumentaram a produtividade e permitiram ampliar a produção agrícola em diferentes regiões do país.
Além dos avanços internos, o cenário internacional também favoreceu o agronegócio brasileiro. A disputa comercial entre Estados Unidos e China, iniciada com maior intensidade em 2018, fez os chineses diversificarem seus fornecedores e aumentarem a participação do Brasil nas compras de alimentos e commodities.
Nos anos seguintes, outros acontecimentos globais também influenciaram o mercado. A pandemia provocou mudanças nas cadeias de abastecimento, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe instabilidade aos preços de grãos e fertilizantes. O Brasil, porém, conseguiu ampliar sua presença no comércio mundial mesmo diante dessas turbulências.
A combinação entre disponibilidade de terras, tecnologia, conhecimento técnico e capacidade produtiva colocou o país em posição privilegiada. Atualmente, produtos como soja, café, açúcar e carne bovina estão entre os principais destaques das exportações brasileiras, enquanto milho e algodão também conquistam mercados tradicionalmente abastecidos pelos Estados Unidos.
A possível liderança brasileira representa uma mudança significativa no equilíbrio do agronegócio mundial e demonstra a força conquistada pelo setor nas últimas décadas.