Produto acumula recuo de 17,20% até julho, após disparada que quase dobrou os preços entre 2024 e 2025
O café, que durante meses esteve entre os alimentos que mais pressionaram o bolso dos brasileiros, agora vive um movimento oposto. O preço do café moído caiu 17,20% nos 12 meses encerrados em julho, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A queda é a maior já registrada em um período de 12 meses desde o início da série histórica do IPCA, em 1994, ano de criação do Plano Real.
Considerando especificamente o intervalo entre julho de 2025 e julho de 2026, a redução chegou a 18,04%.
Apesar da forte queda, o café ainda não devolveu todo o aumento acumulado nos anos anteriores. Entre janeiro de 2024 e junho de 2025, o preço do produto chegou a subir impressionantes 99,49%, praticamente dobrando em um intervalo de cerca de um ano e meio.
Quando considerado apenas um período de 12 meses, a maior alta da série histórica havia sido registrada em maio de 2025, quando o café acumulava avanço de 82,84%.
Clima teve papel importante na disparada
A forte valorização do café ocorreu em meio a um período de condições climáticas adversas para a produção brasileira.
Secas intensas atingiram importantes regiões produtoras, entre elas Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A redução da oferta contribuiu para aumentar a pressão sobre os preços e levou o produto a níveis elevados.
Agora, o cenário é diferente. A queda acumulada nos últimos 12 meses representa uma mudança significativa em relação ao período de forte valorização observado até 2025.
Mesmo assim, o recuo do café precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo. No mesmo período em que o preço do produto caiu 17,20%, o grupo de alimentação e bebidas registrou alta de 3,40%.
Ou seja, embora o café esteja mais barato do que estava um ano atrás, a trajetória do produto ainda é marcada pelos efeitos de uma das maiores altas de sua história recente.