Enfim, decisões para auxiliar os agricultores

Por Ivan Ramos – Diretor Executivo Fecoagro

Nos últimos dias, o agronegócio brasileiro passou a receber um olhar mais atento das autoridades. Talvez ainda não na dimensão que o setor merece, mas não se pode negar que algumas medidas anunciadas têm potencial para reduzir o sufoco enfrentado pelos agricultores. 

Os Planos Safra, apesar das restrições apontadas pelas entidades do setor, representam um instrumento importante para apoiar, ao menos parcialmente, os produtores rurais, desde que as promessas feitas sejam efetivamente cumpridas. Há quem sustente que o formato adotado nos anúncios teve motivação política e que determinadas medidas acabaram prejudicando uma parcela dos produtores. No entanto, somente a execução das ações permitirá avaliar se os objetivos anunciados serão alcançados. 

Outro avanço foi o anúncio de linhas de crédito destinadas à renegociação das dívidas rurais. Trata-se de uma sinalização positiva para recuperar produtores que hoje não conseguem apenas quitar seus compromissos financeiros, mas também estão impedidos de contratar novos financiamentos para continuar produzindo. 

É verdade que já surgem dúvidas quanto à capacidade de atender todos os agricultores que necessitam desse apoio. Ainda assim, para aqueles que conseguirem se enquadrar nas regras, a iniciativa representa uma providência coerente e necessária. 

Também merece destaque a continuidade das discussões no Congresso Nacional sobre a modernização do seguro rural. O tema avança, embora ainda seja preciso convencer parte dos parlamentares de que a proteção da produção agrícola deve ser tratada como política de Estado, acima de disputas ideológicas. 

A Medida Provisória que abriu novas linhas de crédito para enfrentar o endividamento rural é outro passo importante. Entretanto, será fundamental que o atendimento alcance não apenas os agricultores que perderam a safra em razão de eventos climáticos, mas também aqueles cuja atividade foi inviabilizada pela queda nos preços dos produtos agrícolas. Com isso, o produtor brasileiro passa a contar com instrumentos semelhantes aos oferecidos em diversos países que protegem sua agricultura. 

A expectativa agora é que todas essas medidas saiam do papel e não se transformem apenas em ações de efeito político ou eleitoral. 

No caso específico do endividamento rural, é evidente que os avanços ocorreram graças à atuação firme de deputados e senadores que, há mais de três anos, vêm insistindo na necessidade de uma solução. Durante esse período, o Poder Executivo alegou repetidamente falta de recursos, embora pouco tenha avançado na redução de seus próprios gastos, enquanto o setor agropecuário continuava enfrentando dificuldades. 

Também têm sido frequentes críticas ao agronegócio, muitas vezes rotulado de forma generalizada, sem que se reconheça sua contribuição para a economia brasileira, para a geração de empregos, de tributos e para a segurança alimentar do país. 

Por uma questão de justiça, é preciso reconhecer o trabalho dos parlamentares que permaneceram ao lado dos agricultores. Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária e da Frente Parlamentar do Cooperativismo tiveram atuação constante na defesa dos interesses do setor. 

Em Santa Catarina, embora nem todos tenham participado ativamente desse processo, aqueles que integraram essas discussões demonstraram compromisso com as demandas do campo. 

Cabe ao eleitor avaliar, nas próximas eleições, quais representantes realmente defenderam o agronegócio durante seus mandatos e quais apenas se aproximam do setor em períodos eleitorais. 

Essa reflexão também vale para a escolha dos futuros governantes do Poder Executivo. Mais do que discursos, será importante analisar quem apresenta propostas concretas para fortalecer a agropecuária brasileira e quem, ao longo dos últimos anos, ignorou as principais demandas do setor. 

Pense nisso.