Brasil deve garantir oferta de açúcar no mercado global, apesar de riscos climáticos

O mercado internacional de açúcar deve continuar contando com uma participação importante do Brasil nos próximos meses. Enquanto países produtores do Hemisfério Norte enfrentam incertezas provocadas pelo clima, a expectativa é de que a produção brasileira permaneça em níveis elevados e contribua para o abastecimento mundial.

Uma análise da Hedgepoint Global Markets estima que a produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro alcance 635,5 milhões de toneladas na safra 2026/27. O volume representa um avanço em relação às 611,2 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.

Chuvas afetam ritmo da colheita

No Centro-Sul, as condições climáticas chegaram a provocar interrupções temporárias nos trabalhos de campo e na moagem das usinas. Apesar disso, a avaliação da consultoria é de que as chuvas não representam, até o momento, uma redução significativa na disponibilidade de matéria-prima.

Com isso, a perspectiva para a produção brasileira continua positiva, mantendo o país em posição estratégica diante das possíveis dificuldades enfrentadas por outros grandes produtores.

Índia concentra as principais preocupações

Fora do Brasil, o cenário é mais incerto. A ocorrência do El Niño aumenta a preocupação com o comportamento das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, principalmente na Índia.

A chegada tardia da monção e a distribuição irregular das precipitações elevaram as dúvidas sobre o desempenho da próxima produção. Mesmo com uma melhora nas chuvas durante julho, as projeções indicam que o volume de precipitação pode permanecer abaixo da média no restante da temporada.

Outro fator de preocupação está nos níveis dos reservatórios de água em áreas importantes para o cultivo da cana indiana. Diante desse cenário, a estimativa atual aponta para uma produção de aproximadamente 27,6 milhões de toneladas.

Esse volume pode ser insuficiente para gerar excedentes significativos destinados ao mercado internacional. Como resposta, o governo da Índia já autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar.

Mercado acompanha possíveis impactos

As incertezas sobre a produção indiana chegaram a influenciar o mercado internacional. As cotações do açúcar chegaram a testar a marca de 18 centavos de dólar por libra-peso, mas não conseguiram sustentar os ganhos.

A queda dos preços no mercado interno indiano reduziu parte das expectativas de importação e levantou dúvidas sobre o cumprimento integral da cota autorizada pelo governo.

Nesse contexto, o desempenho brasileiro ganha ainda mais importância. Com uma produção projetada em alta, o Centro-Sul tende a desempenhar papel relevante na compensação de eventuais perdas de oferta em outros países e na manutenção do abastecimento global de açúcar.

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