O milho vai muito além de uma das principais culturas agrícolas do Brasil. Considerado o principal ingrediente energético das rações, o cereal é a base da cadeia produtiva de proteínas animais, influenciando diretamente a produção de carnes, ovos e leite e, consequentemente, a competitividade do agronegócio brasileiro.
Segundo a Embrapa, entre 70% e 80% do milho produzido no Brasil é destinado às cadeias de aves e suínos, demonstrando a forte dependência da proteína animal em relação ao cereal. No cenário mundial, aproximadamente 70% do milho também é consumido por essas duas cadeias produtivas.
Na formulação das rações, o milho representa a principal fonte de energia para os animais e pode corresponder a 65% a 80% da composição da alimentação, dependendo da espécie e do sistema de produção. Essa participação faz com que qualquer oscilação no preço ou na oferta do cereal tenha reflexos imediatos sobre os custos de produção.
Impacto direto na produção
O Brasil ocupa posição de destaque mundial tanto na produção de milho quanto na exportação de carnes de frango e suína. Esse desempenho é resultado da integração entre agricultura e pecuária, principalmente nos estados do Sul, onde a produção de grãos abastece uma das maiores concentrações de granjas e agroindústrias do país.
Sempre que há quebra de safra, aumento nas exportações de milho ou valorização dos preços internacionais, o custo da ração sobe rapidamente. Como a alimentação representa a maior parcela das despesas nas granjas, o impacto chega diretamente ao produtor e pode refletir no preço final pago pelo consumidor.
Cadeia integrada
Além de abastecer a avicultura e a suinocultura, o milho também é utilizado na alimentação de bovinos leiteiros, bovinos de corte, peixes, ovinos e outras espécies. Programas como o Venda em Balcão, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), têm justamente o objetivo de garantir o acesso ao cereal para pequenos criadores, fortalecendo a produção de proteína animal em todo o país.
Especialistas destacam que investir em produtividade no campo significa fortalecer toda a cadeia agroindustrial. Quanto maior a eficiência na produção de milho, menor tende a ser o custo da alimentação animal, contribuindo para manter a competitividade das exportações brasileiras e o abastecimento do mercado interno.
Para um país que figura entre os maiores produtores mundiais de alimentos, a relação entre milho e proteína animal é considerada estratégica. O desempenho de uma atividade influencia diretamente a outra, formando uma cadeia integrada que movimenta bilhões de reais, gera empregos e impulsiona o desenvolvimento econômico, especialmente nas regiões com forte presença do agronegócio.