O Programa Leite Bom, iniciativa do Governo de Santa Catarina voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite, atingiu a marca de R$ 108 milhões em operações financeiras nos primeiros 90 dias de execução, segundo dados divulgados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR).
De acordo com o levantamento, o volume de recursos foi alcançado por meio das linhas de crédito e subvenção de juros do programa, que incluem o Pronampe Leite SC e o Financia Leite SC, voltados principalmente a pequenos e médios produtores rurais. As operações vêm sendo utilizadas para custeio da produção, investimentos em infraestrutura e modernização das propriedades leiteiras.
O programa integra um pacote estadual que prevê até R$ 300 milhões em apoio ao setor leiteiro em três anos, com medidas que combinam financiamento direto, incentivos fiscais à indústria e mudanças tributárias para reduzir a concorrência com produtos importados.
Segundo o governo catarinense, mais de 22 mil produtores de leite no estado devem ser beneficiados direta ou indiretamente pela iniciativa, que também busca elevar a competitividade da produção local diante da pressão de preços e da entrada de derivados importados no mercado brasileiro.
Crédito cresce em meio à pressão no setor
Além do impacto do Programa Leite Bom, o setor agropecuário também acompanha a expansão de linhas de crédito específicas, como o Pronampe Leite, que em outra frente já ultrapassou os R$ 108 milhões em operações aprovadas em curto período, segundo dados do BRDE. As iniciativas têm sido apresentadas pelo governo como resposta à queda de rentabilidade enfrentada por produtores em diferentes regiões do estado.
Especialistas do setor avaliam que o aumento do acesso ao crédito tem ajudado a manter a atividade leiteira, especialmente em propriedades familiares, predominantes em Santa Catarina.
Renegociação de dívidas divide governo e setor produtivo no Congresso
Enquanto programas estaduais avançam no apoio financeiro, a discussão sobre renegociação de dívidas do agronegócio ganha força no Congresso Nacional, gerando divergências entre representantes do governo e lideranças do setor produtivo.
Parlamentares ligados ao agronegócio defendem a ampliação de prazos e condições especiais para produtores endividados, argumentando que eventos climáticos extremos, custos elevados de produção e volatilidade de preços justificam medidas emergenciais de renegociação.
Já representantes da área econômica do governo federal demonstram cautela, alegando que medidas amplas de perdão ou alongamento de dívidas podem gerar impacto fiscal e distorções no sistema de crédito rural.
O tema deve avançar em novas rodadas de negociação nas próximas semanas, com participação de bancos públicos, entidades do setor e ministérios envolvidos no financiamento agrícola.
Cenário de atenção no campo
Com a combinação de expansão de crédito estadual e debates nacionais sobre endividamento rural, o setor agropecuário entra em um período de atenção, especialmente em cadeias como a do leite, que enfrenta forte sensibilidade a custos e preços pagos ao produtor.
No caso de Santa Catarina, o governo afirma que o Programa Leite Bom deve seguir como um dos principais instrumentos de sustentação da atividade, ao lado de políticas de incentivo à indústria e à comercialização.