A Cooperativa Regional Auriverde deu um passo estratégico importante na área industrial: a aquisição do Moinho de Trigo Talita, em Santo Antônio do Sudoeste (PR). Com isso, as farinhas Realta e Claríssima, já consolidadas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, ampliam sua presença no mercado paranaense e reforçam a atuação da cooperativa em nível nacional.
Conversamos com Rafael Sonda, diretor industrial da Auriverde, que explicou os motivos do investimento, os impactos esperados para o mercado e para a região, além dos planos de modernização da unidade.
Entrevista
O que motivou a Auriverde a investir na aquisição do Moinho de Trigo Talita, no Paraná?
Rafael Sonda – A motivação vem de algum tempo. A nossa planta de moagem de trigo em Cunha Porã foi ampliada e modernizada em 2018 e, desde meados de 2021, ela opera em 100% da capacidade, em regime 24 horas por dia, 7 dias por semana. É um moinho que não desliga nunca.
Nós já vínhamos trabalhando com uma demanda extra significativa. Hoje importamos muita matéria-prima da Argentina e adquirimos farinha bruta de outros moinhos. Ou seja, mercado nós já temos: temos a carteira de clientes na mão e essa demanda já existe.
Estávamos buscando uma planta para terceirização ou aluguel, mas surgiu a oportunidade da aquisição do Moinho Talita. Então, essa nova unidade vem para compor uma necessidade real de ampliação da produção, atendendo uma demanda que a cooperativa já possui.
Esta é a primeira ampliação da Auriverde em moinhos, depois da unidade de Cunha Porã?
Rafael Sonda – Sim. Além da unidade que já temos em Cunha Porã, essa é a primeira aquisição de outra unidade de moagem de trigo pela Auriverde. A Auriverde já vinha atuando de forma consolidada em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
O que muda agora, com a entrada no Paraná, para as marcas Realta e Claríssima?
Rafael Sonda – Hoje trabalhamos com originação de trigo com associados e unidades de recebimento de grãos no Paraná e no Rio Grande do Sul. Todo o trigo originado no Rio Grande do Sul é industrializado em Cunha Porã.
Mas a atuação da Auriverde com as farinhas de trigo nas marcas Realta e Claríssima já se estende por 10 estados brasileiros, com uma carteira de mais de quatro mil clientes, nas linhas doméstica, industrial e profissional.
A expansão para o Paraná é muito importante porque atuamos com força no segmento de panificação industrial, e as características do trigo dessa região paranaense são muito adequadas para esse segmento. Neste primeiro momento, em Santo Antônio do Sudoeste teremos apenas unidade industrial, ainda sem recebimento de grãos. Mas a unidade abre portas para crescimento futuro na originação de trigo no Paraná, com possibilidade de expansão da cooperativa junto a novos associados no Oeste do estado.
Quais são os principais investimentos previstos para a modernização da unidade de Santo Antônio do Sudoeste?
Rafael Sonda – É uma unidade grande, com capacidade produtiva semelhante à de Cunha Porã. Porém, ela não é tão moderna, principalmente na área de automação, e tem limitações de armazenagem. Hoje, a armazenagem de grãos lá cobre em torno de 40 dias de produção.
Os próximos investimentos após a aquisição são focados em automação dos sistemas de operação do moinho e, em um segundo momento, melhorias em recebimento e armazenagem de grãos. A unidade foi pensada para ser um moinho de trigo, focado na indústria de farinhas, e é nessa linha que vamos concentrar a modernização.
Como vai funcionar a complementaridade entre a unidade de Cunha Porã e a nova unidade do Paraná?
Rafael Sonda – A nossa unidade de Cunha Porã é extremamente moderna e preparada para misturas e envase de farinhas em embalagens de 1 kg, 25 kg e big bags. A maior parte das misturas e do envase da linha doméstica é feita lá.
No Paraná, em Santo Antônio do Sudoeste, nós vamos trabalhar com foco em envase de 25 kg e big bags; destino de grande parte da produção diretamente para indústrias; Transferência de cerca de 30% da produção do Paraná para Cunha Porã, onde serão feitas as misturas e o envase da linha doméstica, de 1 kg e 5 kg.
Ou seja, a unidade paranaense será uma planta mais enxuta, muito voltada à produção e ao fornecimento de farinhas para o mercado industrial e para complementar o volume processado em Cunha Porã.
A marca Talita tem tradição na região. Como ficou essa questão na aquisição?
Rafael Sonda – A marca Talita é de uma empresa familiar, com mais de 35 anos de atuação em moinho de trigo. Nós não adquirimos a marca, e sim a unidade industrial. A marca permanece com a família, que a utiliza em outros ramos do negócio. Na unidade de Santo Antônio do Sudoeste, as marcas exploradas pela Auriverde serão as mesmas de Cunha Porã: Realta e Claríssima.
De que forma essa nova unidade pode impactar os produtores locais, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico da região?
Rafael Sonda – A unidade é considerada seminova. A reforma e ampliação foram concluídas há cerca de 24 meses, então estamos falando de uma estrutura praticamente nova. No entanto, ela estava operando em torno de 50% da capacidade. Nós assumimos a unidade já trabalhando nesse nível e estamos finalizando adequações para incorporar a nossa gestão, cultura de trabalho e melhorias técnicas. A expectativa é que logo ela esteja operando em 100% da capacidade, também em regime de 24 horas.
Com isso teremos mais faturamento e movimento econômico para a cidade; manutenção e segurança dos empregos existentes – nós absorvemos toda a equipe que já trabalhava no moinho; geração de novas oportunidades a partir dos investimentos futuros. Além disso, embora hoje seja apenas uma unidade industrial, a cooperativa tem planos de expansão no agro, com possibilidade de: Unidade de agropecuária; unidade cerealista de recebimento de grãos; fomento à originação de trigo na região. Historicamente, onde a Auriverde se instala, esse movimento de ampliar atuação no campo acontece naturalmente, num horizonte de médio e longo prazo.
Como você avalia o potencial de Santo Antônio do Sudoeste e do Extremo Oeste do Paraná para a Auriverde?
Rafael Sonda – Santo Antônio do Sudoeste é uma das cidades satélites do Extremo-Oeste do Paraná, muito importante na produção agrícola, principalmente de grãos, e próxima de uma relevante bacia leiteira. A cooperativa enxerga a região com grande potencial em vários segmentos. Eu gerencio a área industrial, mas já trocamos muitas ideias com outras diretorias da cooperativa, e é claro que a Auriverde olha para o Paraná de forma estratégica e integrada.
A unidade já está em operação?
Rafael Sonda – Sim. Já estamos operando desde março. Assumimos a unidade, mantivemos a equipe e seguimos com as adaptações necessárias para operar dentro dos padrões da Auriverde.
Em números, quais são os impactos esperados dessa iniciativa para a cooperativa e para os associados?
Rafael Sonda – A capacidade de moagem dessa nova unidade é muito semelhante à de Cunha Porã. A expectativa, em médio prazo, é de: consumo de cerca de 60 mil toneladas de trigo por ano; Produção aproximada de 47 mil toneladas de farinha por ano; um faturamento adicional para a cooperativa na ordem de R$ 100 milhões por ano; operação enxuta, com em torno de 30 colaboradores diretamente ligados ao moinho.
Hoje, a Auriverde conta com cerca de 6 mil associados e 960 funcionários. A expansão para o Paraná reforça essa trajetória de crescimento, agregando valor à produção, fortalecendo a indústria e gerando novas oportunidades para a base de associados.
Gestão e identidade: Auriverde, Realta e Claríssima
Durante a entrevista, Rafael reforçou que a Auriverde é a gestora de todo o processo industrial e comercial, enquanto Realta e Claríssima são as marcas de farinhas exploradas pela cooperativa.
A aquisição do Moinho de Trigo Talita, em Santo Antônio do Sudoeste, consolida a estratégia de crescimento sustentável, unindo tradição na moagem de trigo, expansão geográfica e foco em qualidade para o mercado de panificação e consumo doméstico.
A partir do Paraná, as farinhas Realta e Claríssima ganham mais força para continuar chegando “do campo para a mesa” em todo o Brasil.
