Agrotóxicos são encontrados na água de mais da metade das cidades de SC

Um estudo encomendado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou que 52% dos municípios catarinenses apresentam resíduos de agrotóxicos na água potável, incluindo cinco substâncias com uso proibido no Brasil. O levantamento apresentado no dia 28 de janeiro, deste ano, acende um alerta para a contaminação ambiental no Estado.

Ao todo, foram identificados 42 ingredientes ativos nas amostras analisadas. Embora os níveis estejam abaixo dos limites nacionais de potabilidade e a água não seja considerada imprópria para consumo, o MPSC chama atenção para os riscos da exposição crônica a essas substâncias, que podem causar efeitos cumulativos à saúde ao longo do tempo.

Segundo o órgão, estudos científicos associam a exposição contínua a agrotóxicos ao aumento do risco de doenças como linfoma não-Hodgkin, câncer de estômago, próstata e tireoide, além de alterações endócrinas e neurológicas. A preocupação, conforme o Ministério Público, vai além da água, já que os resíduos atingem também o solo e o ar.

O levantamento foi realizado entre 2018 e 2023, dentro do Programa Alimento Sem Risco, e analisou a água tratada que abastece todos os 295 municípios catarinenses. Do total, 155 cidades apresentaram algum tipo de resíduo químico.

Regionalmente, os maiores índices foram registrados no Sul do Estado, onde 76,1% dos municípios apresentaram contaminação, seguido do Oeste, com 63 dos 118 municípios. Casos mais críticos foram identificados no Vale do Itajaí, especialmente em Imbuia, com 17 tipos de resíduos detectados, e Ituporanga, onde foram encontrados 23 ingredientes ativos simultaneamente, alguns em concentrações elevadas.

Substâncias proibidas também foram identificadas em municípios como Balneário Camboriú, Rancho Queimado, Canelinha, Itaiópolis e São João do Sul. Com base nos resultados, o MPSC pretende atuar regional e nacionalmente para reduzir os impactos da poluição química e discutir a revisão dos limites permitidos de resíduos na água potável.

Fonte: ND+