China amplia compras de soja brasileira após queda nos preços e expectativa de acordo comercial

Importadores chineses intensificaram a compra de soja brasileira nos últimos dias diante da queda no preço do grão sul-americano e da expectativa de retomada do comércio agrícola entre Estados Unidos e China. Segundo três traders consultados nesta segunda-feira, compradores já reservaram 10 cargas para embarque em dezembro e outras 10 para o período entre março e julho de 2026.

A soja do Brasil, que vinha sendo comercializada a valores superiores aos norte-americanos nas últimas semanas, passou a ser cotada abaixo das ofertas dos EUA, impulsionando a demanda chinesa. O cenário mudou após tarifas aplicadas por Pequim terem reduzido a competitividade do produto norte-americano no mercado chinês.

“O Brasil agora está mais barato do que o Golfo dos EUA, e os compradores estão aproveitando a oportunidade para reservar cargas”, afirmou um dos traders envolvidos no negócio. “A demanda pelo grão brasileiro aumentou desde a semana passada”, acrescentou.

A movimentação ocorre após o governo chinês anunciar a ampliação do comércio agrícola com Washington. O acordo foi discutido durante encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, na Coreia do Sul, na semana passada. Segundo comunicado posterior da Casa Branca, a China deverá comprar pelo menos 12 milhões de toneladas de soja norte-americana nos últimos dois meses de 2025 e, a partir de 2026, pelo menos 25 milhões de toneladas por ano durante três anos.

O mercado agora aguarda possíveis anúncios sobre redução de tarifas de importação aplicadas aos produtos agrícolas dos EUA. Enquanto isso, a estatal chinesa COFCO já realizou as primeiras compras da nova safra norte-americana, adquirindo três cargas na semana passada.

No mercado internacional, o contrato de janeiro da soja em Chicago tem sido negociado entre US$ 2,25 e US$ 2,30 por bushel (equivalente a R$ 12,04 a R$ 12,31). Já as cargas dos EUA destinadas ao embarque pelo Golfo são oferecidas a cerca de US$ 2,40 por bushel (R$ 12,84). Os futuros da oleaginosa subiram quase 1% nesta segunda-feira, atingindo o maior nível em 15 meses, impulsionados pelo retorno da China ao mercado norte-americano.

Fonte: Forbes Agro