A tradicional colheita do pinhão em Santa Catarina começou oficialmente no dia 1º de abril e já mobiliza milhares de famílias na região serrana do estado. Símbolo da cultura e da gastronomia de inverno, a semente da araucária segue sendo uma importante fonte de renda para produtores rurais, apesar da previsão de queda na produção em 2026.
De acordo com levantamento da Epagri, a expectativa é de que cerca de 3,7 mil toneladas sejam colhidas neste ano nos principais municípios produtores da Serra Catarinense — uma redução de aproximadamente 32% em relação a 2025, quando a safra chegou a 5,4 mil toneladas.
Mesmo com a diminuição da oferta, o impacto econômico continua relevante. No ano passado, o pinhão movimentou cerca de R$ 32 milhões, e a tendência é que os preços pagos aos produtores se mantenham firmes ou até apresentem alta, impulsionados pela menor disponibilidade do produto no mercado.
Importância social e econômica
A colheita do pinhão vai além dos números. Estima-se que aproximadamente 10 mil famílias rurais, o equivalente a cerca de 30% das propriedades da região, tenham na atividade uma importante fonte de renda complementar.
Em municípios como Painel, conhecido como a capital catarinense do pinhão, a atividade envolve grande parte da população. Em alguns casos, o extrativismo da semente representa a principal renda anual das famílias, movimentando o comércio local durante os meses mais frios.
Fatores que influenciam a safra
A redução na produção em 2026 está relacionada a fatores climáticos e ao próprio ciclo natural da araucária. A polinização, que ocorre meses antes da colheita, depende de condições específicas, como ventos adequados e ausência de excesso de chuvas. Além disso, a planta alterna períodos de maior e menor produtividade ao longo dos anos.
Tradição e cultura
Mais do que um produto agrícola, o pinhão é um elemento marcante da identidade cultural do Sul do Brasil. Consumido principalmente durante o outono e inverno, ele está presente em festas típicas, receitas regionais e no turismo da Serra Catarinense.
A colheita também carrega um aspecto histórico, sendo praticada há gerações e transmitida entre famílias, que mantêm viva a tradição de subir nas araucárias para retirar as pinhas — uma atividade que exige técnica e cuidado.
Perspectivas
Apesar da safra menor, o cenário para 2026 não é pessimista. A expectativa de preços mais elevados pode compensar a queda na produção, garantindo renda aos produtores e mantendo o pinhão como um dos protagonistas da economia e da cultura catarinense durante o inverno.