Uma missão técnica do Japão iniciou, no último fim de semana, a avaliação do sistema sanitário brasileiro como parte do processo para possível abertura do mercado japonês à carne bovina do Brasil. A agenda dos auditores segue até o dia 13 de abril e está concentrada nos três Estados do Sul — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
A auditoria in loco é considerada uma etapa decisiva em um processo aguardado há décadas pelo setor. Após essa fase, o trâmite para autorização das exportações passa a ser apenas documental, embora ainda exista cautela quanto ao prazo para a abertura efetiva do mercado.
O interesse brasileiro no Japão se deve ao alto valor pago pela carne bovina, com preços médios entre US$ 4,5 mil e US$ 6,8 mil por tonelada, além da estratégia de diversificação das exportações, especialmente após a imposição de cotas pela China, principal destino atual.
A comitiva japonesa é formada por representantes do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca e da Organização Nacional de Pesquisa em Agricultura e Alimentos. Durante a visita, os técnicos avaliam a consistência das informações fornecidas pelo Brasil e a aplicação prática das normas sanitárias.
Entre os pontos analisados estão a vigilância e o controle da febre aftosa, a rastreabilidade do rebanho, a estrutura de defesa agropecuária e a capacidade de resposta a eventuais emergências sanitárias. A programação inclui visitas a fazendas, frigoríficos, laboratórios, aeroportos e postos de fiscalização.
Apesar de o Brasil ter solicitado a ampliação da área auditada, a inspeção está restrita aos Estados do Sul, primeiros a obter o certificado de livres de febre aftosa sem vacinação. A inclusão de outras regiões dependerá dos resultados desta etapa.
Mesmo com o reconhecimento internacional do Brasil como país livre da doença, concedido em 2025 pela Organização Mundial de Saúde Animal, o acesso ao mercado japonês ainda depende de avaliação final de um comitê de saúde animal do país asiático, sem prazo definido para decisão.
Caso a abertura seja concretizada, o Brasil também deve negociar melhores condições tarifárias. Atualmente, as exportações enfrentam tarifas de até 38,5%, consideradas elevadas em comparação a outros mercados.
A missão ocorre após avanços diplomáticos entre os dois países, incluindo compromissos firmados durante visita oficial brasileira ao Japão em 2024, que destravaram as negociações para o envio da equipe técnica.